Impeachment de Casares ganha força com articulação por votos e pressão de organizadas

Conselho Deliberativo marcou para o dia 14 a votação que pode afastar o presidente do São Paulo

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Júlio Casares é o atual presidente do São Paulo Foto: Reprodução/Instagram

O processo de impeachment do presidente do São Paulo, Júlio Casares, ganhou força nos bastidores às vésperas da votação no Conselho Deliberativo, marcada para o dia 14, no MorumBis. A oposição intensificou a articulação para tentar afastar o dirigente, enquanto o grupo ligado à atual gestão demonstra preocupação com um possível esvaziamento da reunião.

Embora a sessão seja fechada, a expectativa é de protestos do lado de fora do estádio. As torcidas organizadas Independente, Dragões da Real e Falange Tricolor convocaram seus integrantes para uma concentração no dia da votação. Em publicação nas redes sociais, a Independente classificou o chamado como “a mais importante convocação dos últimos anos”.

Entre os conselheiros oposicionistas, há um movimento para tentar reverter votos e alcançar os dois terços necessários para aprovar o afastamento. O pedido de abertura do processo contou com 57 assinaturas, acima do mínimo exigido de 50. Para que Casares seja afastado, são necessários 177 votos favoráveis.

Um dos temores da oposição é o quórum reduzido, já que a reunião ocorre em meados de janeiro, período em que muitos conselheiros costumam estar fora da cidade. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, tinha até o dia 23 para convocar o encontro, mas antecipou a decisão após a divulgação de um parecer contrário ao impeachment pelo Conselho Consultivo.

Embora o posicionamento do Conselho Consultivo não seja determinante, ele faz parte do rito do processo. Ainda assim, relatos obtidos pela reportagem indicam que alguns conselheiros teriam condicionado o voto favorável ao afastamento a pedidos de vantagens, como apoio político ou até valores em dinheiro. Segundo os relatos, essas solicitações não foram atendidas.

O clima político acabou deixando em segundo plano outros temas do Conselho. No fim de 2025, o orçamento de 2026 foi aprovado por margem apertada, com apenas cinco votos de diferença. Houve questionamentos sobre a contagem, negados pelo clube, mas o assunto perdeu força diante da mobilização pelo impeachment.

Apesar da pressão e da perda de apoio nos bastidores, a avaliação interna neste momento é de que não há votos suficientes para afastar Casares. Paralelamente, o presidente segue sendo alvo de duas investigações da Polícia Civil, uma sobre supostos desvios de verba do clube e outra sobre o uso irregular de um camarote no MorumBis.

Caso o afastamento seja aprovado pelo Conselho Deliberativo, uma Assembleia Geral de sócios deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar a decisão, exigindo maioria simples. Se afastado, Casares perde também o cargo no Conselho Consultivo, o que não ocorreria em caso de renúncia. Se absolvido, o processo será arquivado.