A decisão do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de retirar sua pré-candidatura à Presidência da República, anunciada nesta segunda-feira (23), forçou um recomeço nas estratégias de campanha. Sem o nome do paranaense na lista, o jogo político entra em uma fase de análise baseada na migração de votos e na consolidação de nomes da direita e do centro.
Resumo
O herdeiro direto: Flávio Bolsonaro lidera a migração de votos com 32% da preferência dos eleitores de Ratinho Júnior.
Desempenho de Lula: o atual presidente captura 17% desse eleitorado, mostrando uma resistência moderada no grupo.
A terceira via: Ronaldo Caiado (13%) e Romeu Zema (abaixo de 3%) tentam se viabilizar como alternativas à polarização.
O peso do nulo: 27% dos eleitores de Ratinho preferem anular o voto, indicando um vácuo de representatividade na direita moderada.
Cruzamentos da última pesquisa Genial/Quaest, realizada em março, já antecipavam esse cenário hipotético. Ao retirar Ratinho da disputa e incluir nomes como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o levantamento identificou o comportamento do eleitor paranaense e dos simpatizantes do governador.
Flávio Bolsonaro lidera herança
De acordo com os dados, o senador Flávio Bolsonaro (PL) é quem mais fatura com a saída de Ratinho Júnior, capturando 32% das intenções de voto desse grupo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em seguida, herdando 17%, enquanto Ronaldo Caiado atrai 13%.
Um dado que chama a atenção dos articuladores políticos é o alto índice de desengajamento: quase um terço (27%) dos eleitores de Ratinho Júnior afirma que votaria em branco ou nulo, ou simplesmente não compareceria às urnas sem o seu candidato original. Outros 6% permanecem indecisos, formando um contingente de “órfãos políticos” que pode decidir o pleito.
Metodologia e próximos passos
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 brasileiros presencialmente entre os dias 6 e 9 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais. O mercado político aguarda agora o próximo levantamento, previsto para o dia 15 de abril, que será o primeiro a testar os cenários reais sem a presença do governador do Paraná na lista oficial de candidatos.