PROCIDA, 21 NOV (ANSA) – A pequena ilha de Procida, localizada na região da Campânia, terá a primeira orquestra de migrantes, um conjunto multiétnico formado por 14 músicos de sete nações e três continentes diferentes.
Eleita capital italiana da cultura para 2022, a cidade de pouco mais de 10 mil habitantes escolheu os músicos profissionais por meio de uma seleção lançada pela rede nacional de Sistema de Acolhimento e Integração (SAI) para refugiados políticos e requerentes de asilo.
A iniciativa nasceu no âmbito do “Amih”, um projeto de residência artística que – no final de um percurso de oficinas iniciado em 12 de novembro – culminará em um concerto noturno na Piazza Marina Grande, no dia 26 de novembro, com entrada gratuita.
A orquestra já conseguiu criar algumas canções originais e inéditas, cujos títulos resumem as histórias de vida pessoal dos participantes do projeto, que optaram por confiar ao “poder catártico da música” após as etapas mais dolorosas de sua trajetória, como a partida de seus respectivos países e as viagens complexas nas costas italianas.
Entre os artistas está o iraniano Mehdi, o guineense Mamady, o nigeriano Friday Enabulele e o gambiano Ousainou, de apenas 17 anos, que chegou em Catania há pouco mais de um ano e foi convidado pelo SAI de Sant’Andrea di Conza, em Irpinia.
Alguns deles deixaram seus respectivos países de origem, principalmente pelas letras de peças musicais e apresentações que denunciaram políticos corruptos nos territórios. “Para nós a música é tudo, uma oportunidade de redenção e um sonho que cultivamos desde crianças”, afirmaram.
Segundo o violonista e compositor de Procida, Osvaldo Di Dio, diretor musical do projeto, “os músicos estão a trabalhar em composições originais, que se inspiram nas suas respectivas culturas, estilos e linguagens”.
O italiano também é acompanhado pelos músicos Vincenzo Virgilito (baixo), Antonio Fusco (bateria e percussão) e Ashti Abdo (voz r percussão), originários do Curdistão.
“A ideia é justamente celebrar a beleza geradora que pode surgir quando diferentes linguagens, músicas e culturas estão em contato próximo. A música é um terreno privilegiado através do qual esse processo pode realmente se materializar. A esperança é que isso também possa se espalhar para outras áreas em um período tão complexo”, concluiu Di Dio.
Desta forma, o projeto “Amih”, que se prolongará para além de Procida como uma fórmula “aberta” a quem quiser fazer parte, envolverá alguns elementos da banda musical local e três mulheres ucranianas – Mariya Hronovska, Irena Sosnivska e Oksana Holotyak -, hoje cidadãs da ilha empenhadas na interpretação de canções tradicionais para transmitir uma mensagem de paz e fraternidade nos meses sombrios do conflito deflagrado pela Rússia.
Paralelamente, a ilha de Procida lança também outro projeto dedicado aos migrantes, “22 Nodi”, que envolve os hóspedes do SAI da ilha numa série de workshops para ajudar a ultrapassar os traumas associados às viagens no mar. (ANSA).