ROMA, 17 NOV (ANSA) – A Conferência Episcopal Italiana (CEI) publicou nesta quinta-feira (17) seu primeiro relatório sobre denúncias de assédios e abusos sexuais cometidos por religiosos ou laicos ligados à igreja italiana no biênio 2020 e 2021. Ao todo, 68 pessoas foram denunciadas.
“O perfil dos 68 supostos autores de crimes evidencia sujeitos com idade entre 40 e 60 anos na época dos fatos na maior parte dos casos. O papel eclesial exercido no momento dos fatos é de clérigos (30), seguido por laicos (23) e por fim de religiosos (15). Entre os laicos, emergem os papéis de professores de religião, sacristãos, animadores de oratórios, catequistas e responsáveis por associações católicas”, diz o texto.
“Aqui se trata de um crime e um pecado gravíssimo, queremos fazer justiça e que esses eventos não aconteçam mais. Queremos prevenir e enfrentar as nossas atividades com tranquilidade.
Esse relatório é o primeiro, mas pensamos em fazer isso todos os anos, em melhorar e fazer crescer nossas atividades de prevenção”, disse o presidente do Serviço Nacional para a Tutela de Menores e das Pessoas Vulneráveis da CEI, Lorenzo Ghizzoni.
O extenso relatório aponta que a maior parte das denúncias partiram de mulheres (54,7%) e que as denúncias foram apresentadas por telefone (54,7%). “O motivo do contato é a vontade de notificar a autoridade eclesiástica local (53,1%), pedir informações (20,8%) e pedir consultoria específica (15,6%)”, acrescenta.
Outro ponto destacado é que as pessoas que fizeram denúncias procuraram por laicos (77,8%) nas instituições e, sobretudo, mulheres que trabalham nessas funções (83,3%). Já a busca para denunciar para religiosos é bem menos frequente: padres somaram 15,5% e religiosas apenas 6,7%.
Já sobre os crimes cometidos, a CEI informou que as denúncias (que podem ser mais de um ato inadequado por pessoa) foram por comportamento ou linguagem inapropriada (24), por toques inapropriados (21), assédio sexual (13), relações sexuais (9), exibição de pornografia (4), pedidos on-line (3) e atos de exibicionismo (2).
“O contexto no qual os supostos crimes ocorreram é quase exclusivamente em um local físico (94,4%), em prevalência no âmbito paroquial (33,3%), na sede de um movimento/associação (21,4%) ou na casa de formação/seminário (11,9%)”, ressalta ainda o texto.
A CEI informa que após as denúncias serem feitas a uma autoridade eclesiástica por parte dos centros de acolhimento locais, “entre as ações tomadas estavam provimentos disciplinares, seguidos por investigações prévias e transmissão de denúncia ao Dicastério para a Doutrina da Fé” do Vaticano.
Além disso, os centros acompanham os denunciantes com informações sobre o andamento do caso (43,9%), organizam encontros com líderes locais (24,6%), oferecem apoio psicoterapêutico (14%) e acompanhamento espiritual (12,3%).
Durante a coletiva de imprensa para a apresentação dos dados, o secretário-geral da CEI, Giuseppe Baturi, ainda informou que nos últimos 20 anos foram abertas 613 ações de possíveis abusos de religiosos e laicos italianos na Congregação para a Doutrina da Fé. Esses dados serão objeto de um novo relatório que será divulgado em breve. (ANSA).