Comportamento

Igreja católica alemã estabelece indenização para vítimas de pedofilia

Igreja católica alemã estabelece indenização para vítimas de pedofilia

Bispo Georg Bätzing - afp/AFP/Arquivos

Os bispos católicos alemães concordaram nesta quinta-feira (24) em conceder uma indenização de até 50.000 euros (cerca de US$ 58.000) a menores que foram vítimas de abusos sexuais por membros do clero, um valor considerado “simbólico” pelas associações de vítimas que querem um debate no Parlamento.

Os bispos reunidos durante a conferência episcopal de outono (boreal) em Fulda autorizaram uma proposta apresentada em março sobre o pagamento de indenizações, declarou seu presidente, Georg Bätzing.

O valor para cada vítima será definido por uma comissão independente. As demandas poderão ser encaminhadas a partir de janeiro de 2021, inclusive por aqueles que já receberam compensações financeiras no passado. Até agora, nenhuma excedeu 5.000 euros (US$ 5.800).

“Este é um processo dirigido às vítimas (…) um grande passo em frente”, disse Bätzing, lembrando que a Igreja também cobre os custos com terapias.

As associações de defesa das vítimas denunciaram uma indenização “simbólica”, que “não as ajuda”, e anunciaram o lançamento de uma petição para organizar um debate no Bundestag (Parlamento), na esperança de finalmente lançar luz sobre esses casos.

“As vítimas esperam há dez anos”, quando foram revelados os primeiros casos de abusos sexuais dentro da Igreja alemã, “por uma indenização justa, não só pelos crimes cometidos no passado, mas também pelo encobrimento sistemático desses atos e pela proteção prestada a seus perpetradores”, de acordo com o texto do requerimento publicado pela associação Eckiger Tisch.

“Muitas vezes as crianças estiveram em perigo por negligência, pois os autores desses atos apenas foram transferidos”, frisa.

Dois anos atrás, um estudo realizado por investigadores independentes, mas encomendado pela Igreja, determinou que 3.677 menores foram vítimas de abuso sexual na Alemanha por mais de 1.000 membros do clero desde 1946.

Os autores do estudo, que não tiveram acesso a todos os arquivos da Igreja, consideraram que o número de vítimas é provavelmente superior.

A Igreja Católica, que apesar da crise de confiança que atravessa, continua a ser a mais importante da Alemanha, com quase 23 milhões de fiéis, pediu desculpas oficialmente e prometeu aumentar as indenizações.

Uma comissão independente propôs duas soluções: um pagamento único de 300.000 euros (US$ 350.000), ou um sistema individual com pagamentos que variam dependendo da gravidade dos casos, de entre 40.000 e 400.000 euros (entre US$ 46.700 e US$ 467.000).

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