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Idosos colombianos se ‘rebelam’ contra confinamento da Covid-19

Idosos colombianos se ‘rebelam’ contra confinamento da Covid-19

María Eugenia Rodríguez, 71, Eleodoro Quijano, e José Ávila, 72, em Bogotá desafiam por necessidade o confinamento imposto aos idosos na Colômbia - AFP

O confinamento dos maiores de 70 anos, decretado por quase seis meses, gerou polêmica na Colômbia. Alguns o desafiam em uma reivindicação de liberdade, e outros, por necessidade, como o velho Eleodoro e seus companheiros de indignação, que sobrevivem em uma casa em ruínas.

Desde meados de março, 2,6 milhões de idosos devem permanecer confinados para escapar da Covid-19 na Colômbia. Diante da ameaça do vírus, Eleodoro Quijano, nos seus 80 anos, não deveria deixar a fazenda onde nasceu, agora em ruínas, situada em meio a moradias sociais na cidade de San Cristóbal, ao pé das montanhas do deprimido sudeste de Bogotá.

A capital registra mais de 30% dos quase 33.000 casos confirmados de coronavírus, incluindo mil mortes, em todo país. O confinamento foi decretado em 20 de março e, cinco dias depois, tornou-se geral para os 48 milhões de habitantes do país.

O presidente Iván Duque provocou revolta em seu apelo para proteger os “avós”, os mais vulneráveis à doença. Várias personalidades consideraram uma “infantilização” dos adultos mais velhos. Alguns convocaram a desobediência.

– Sair para vender lixo –

Com um olhar triste e o rosto esculpido pelos infortúnios da vida, Eleodoro está mais preocupado com alimentar seus cinco cães do que com seu corpo magro. Assim como ele, pelo menos 1,6 milhão de idosos vivem na extrema pobreza em uma das nações mais desiguais da América.

Sem documentos de identidade, não pode receber alimentos, ou o subsídio de cerca de US$ 22 mensais prometidos pelo governo local aos 50.000 idosos durante três meses de pandemia. As queixas sobre os auxílios são recorrentes.

Ele confia mais na caridade da vizinhança e de seus “colegas de casa”, que às vezes levam algo para cozinhar no fogo de lenha em uma panela desgastada.

José Ávila, de 72, e María Eugenia Rodríguez, de 71, compartilham um dos cômodos da casa de muros corroídos de Eleodoro. O terceiro quarto é ocupado pelo “jovem” do grupo: Pedro Soler, de 68.

Com, ou sem, confinamento, eles diariamente vendem aos recicladores metal, papelão, ou papel, coletados no lixo.

“Se não me mexo, o que como?”, questiona José.

Violar o confinamento confere uma multa de cerca de US$ 260, valor semelhante ao salário mínimo na quarta economia latino-americana.

“A tristeza também mata”, lamenta a franco-colombiana Florence Thomas, de 77, uma professora de psicologia e conhecida feminista que criticou o confinamento na imprensa local.

“É um exagero monumental dizer aos velhos, às velhas, ‘fiquem em casa, não se intrometam’, como se fôssemos marginais”, protesta ela, indignada em sua “prisão domiciliar”.

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