Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) – O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta segunda-feira e retomou o patamar dos 100 mil pontos perdido há mais de uma semana, com Petrobras disparando, enquanto Vale avançou na esteira da alta do preço do minério de ferro na China.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,12%, 100.763,60 pontos, chegando a 101.106,14 pontos no melhor momento do pregão. O Ibovespa não fechava acima dos 100 mil pontos desde 15 de junho. O volume financeiro somou 21,1 bilhões de reais.

Na visão do especialista em renda variável da Blue3 Dennis Esteves, o tom mais positivo no mercado reflete a dúvida se, após dados mais fracos da economia norte-americana, o Federal Reserve precisará ser tão agressivo no aumento de juros nos Estados Unidos na próxima reunião.

Em Wall Street, os pregões abriram no azul, mas devolveram os ganhos e o S&P 500 caiu 0,3%, em meio também a movimentos de realização de lucros após rali na semana passada.

Na B3, apesar da alta na sessão, o Ibovespa ainda recua 9,51% no mês e com um declínio de 16% no trimestre caminha para o pior desempenho trimestral desde a queda de quase 37% acumulada nos primeiros três meses de 2020 – quando foi arrasado pelas preocupações relacionadas à pandemia de Covid-19.

Tal desempenho pode corroborar a visão de que, com base em múltiplos, o Ibovespa está barato. Mas desafios que passam pelo ressurgimento do risco fiscal, eleições, desaceleração da economia, entre outros, apoiam ainda uma visão cautelosa e expectativa de volatilidade nos próximos meses.

A equipe do Itaú BBA cortou previsão para o Ibovespa no final do ano para 110 mil pontos, de 115 mil antes, enxergando um cenário mais desafiador para as ações brasileiras no curto e médio prazos, principalmente em questões macro, refletidas em um maior custo de capital próprio.

Na visão dos estrategistas do JPMorgan, por sua vez, os próximos meses serão dominados pelo fluxo de notícias doméstico, “que geralmente não é uma fonte de boas notícias”.

DESTAQUES

– PETROBRAS PN avançou 6,43%, em sessão de alta no setor após perdas relevantes no mês – até a sexta-feira o papel acumulava um declínio de 12,5% em junho. No radar, o conselho de administração da estatal elegeu nesta segunda-feira Caio Mário Paes de Andrade para o cargo de presidente-executivo da companhia. Também o Itaú BBA retomou a cobertura da estatal com recomendação “outperform” e os preços do petróleo no exterior avançaram mais de 2%.

– 3R PETROLEUM ON e PETRORIO ON subiram 6,41% e 5,29%, respectivamente, encontrando apoio na alta dos preços do petróleo no exterior para subirem após acumularem quedas de 29,9% e 23,1% no mês até o último pregão.

– VALE ON fechou com elevação de 4,6%, conforme os contratos futuros de minério de ferro atingiram máximas de uma semana nas bolsas de Dalian e Cingapura nesta segunda-feira. Os preços subiram apoiados em esperanças de que as siderúrgicas chinesas reiniciem dezenas de altos-fornos que haviam sido parados devido à queda nas margens e à fraca demanda para reabastecer estoques. Até sexta-feira, a ação registrava queda de 13,4% em junho.

– ENEVA ON valorizou-se 5,78%, a 15,19 reais, após levantar 4,2 bilhões de reais em uma oferta de ações precificada a 14 reais por papel na sexta-feira. A companhia indicou que utilizará os recursos para financiar as aquisições da Celsepar e Cebarra.

– CVC BRASIL ON caiu 4,70%, na sexta queda consecutiva. Na semana passada, a operadora de turismo levantou 402,8 milhões de reais em uma oferta de ações precificada na última quinta-feira a 7,70 reais por papel, um desconto de 13,3% em relação ao preço de fechamento daquele dia. No setor de aviação, AZUL PN e GOL PN recuaram 5,33% e 4%, respectivamente, após forte valorização na última sexta-feira, de 4,7% e 6,7%.

– ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,6% e BRADESCO PN avançou 1,4%, reforçando o sinal positivo no pregão.

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