A B3 acionou o circuit breaker na manhã desta segunda-feira (26), após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. A medida suspendeu as negociações por 30 minutos e marcou o primeiro uso do mecanismo desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.
O circuit breaker é uma ferramenta de proteção adotada em momentos de forte volatilidade. Na B3, uma queda de 10% do Ibovespa interrompe os negócios por meia hora. Se, após a reabertura, o recuo alcançar 15%, a nova paralisação dura uma hora. Em uma baixa de 20%, cabe à Bolsa definir uma nova suspensão.
O mercado reagiu à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25). Parte dos investidores havia precificado uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e associava esse cenário a uma política fiscal mais restritiva.
Após a retomada das negociações, o Ibovespa aprofundou as perdas. Por volta das 11h30, o índice caía mais de 17%, em um pregão marcado por forte oscilação. Na mínima do dia, chegou à faixa dos 169,5 mil pontos.
O dólar também disparou frente ao real. A moeda americana chegou a ser negociada a R$ 5,6049, com valorização intradia de 12,25%. Já os contratos de DI, usados como referência para as expectativas de juros futuros, avançaram até 290 pontos-base durante a manhã.
O risco-Brasil, indicador que acompanha a percepção dos investidores sobre a capacidade do país de cumprir compromissos financeiros, também subiu. A alta tende a encarecer a captação de recursos por empresas e pelo governo no exterior.
O movimento reverteu parte da reação observada após o primeiro turno. Na sessão seguinte à primeira rodada, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente na apuração, o Ibovespa havia avançado 7,7% e alcançado recorde nominal e real, enquanto o dólar registrou queda de 4,11%.
A leitura predominante entre analistas é de que o desempenho dos ativos refletiu a reavaliação das expectativas para a política fiscal a partir de 2027. Isso não significa, porém, uma definição sobre as medidas do próximo governo, que ainda dependerão de anúncios, execução orçamentária e negociação no Congresso.
Da IstoÉ