Economia

IBGE ainda não vê sinais de pressão de demanda sobre inflação medida pelo IPCA


Ainda não há sinais de pressão de demanda sobre a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), afirmou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Não dá para afirmar ainda que haja pressão de demanda. Inclusive houve desaceleração do setor de serviços”, ressaltou Kislanov.

O IPCA desacelerou de 0,93% em março para 0,31% em abril. Dentro do índice, a inflação de serviços – usada como termômetro de pressões de demanda sobre a inflação – arrefeceu de uma alta de 0,12% em março para 0,05% em abril, sob influência da trégua na alimentação fora de casa e de alguns serviços ligados ao turismo. Já a inflação de itens monitorados pelo governo desacelerou de 2,81% para 0,38%.

“Houve uma desaceleração mais forte por causa da alta menos intensa do gás de botijão e da queda nos preços dos combustíveis”, apontou Kislanov.

A queda no preço da gasolina foi o principal fator de desaceleração no IPCA na passagem de março para abril, mas a alta mais branda no gás e a queda na energia elétrica também contribuíram, disse o pesquisador. Ele lembra que as pressões de preços sobre o IPCA do último mês partiram dos grupos alimentação e saúde. Pelo lado da saúde, houve a autorização de reajuste nos preços dos medicamentos. Na alimentação, houve impacto do encarecimento das proteínas, por pressão da ração mais cara, devido aos aumentos do milho e da soja no mercado internacional, explicou o gerente do IBGE.

O índice de difusão do IPCA, que mostra o porcentual de itens com aumentos de preços, subiu de 63% em março para 66% em abril.

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“Fazendo a ressalva de que isso pode ter influência do fato que existem vários subitens dentro do IPCA que são itens farmacêuticos”, lembrou Kislanov, ressaltando que a maior pressão sobre a inflação de abril foi do reajuste de medicamentos autorizado pelo governo.

A difusão de itens alimentícios aumentou de 65% em março para 67% em abril, enquanto a de itens não alimentícios saiu de 61% em março para 64% em abril.

O recrudescimento da pandemia tem ajudado a arrefecer preços de serviços e de alguns alimentos mais perecíveis, aponta Kislanov.

Por outro lado, o novo pagamento do auxílio emergencial pode influenciar itens essenciais a partir de maio, prevê.

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