Economia

HSBC vai demitir 35.000 nos próximos três anos após queda no lucro

HSBC vai demitir 35.000 nos próximos três anos após queda no lucro

Agência do banco HSBC em Paris - AFP/Arquivos

O banco britânico HSBC, com forte presença na Ásia, planeja cortar 35.000 postos de trabalho, muito acima do esperado, após a queda expressiva em seu lucro.

Com sede em Londres, mas com presença em boa parte do mundo e particularmente na Ásia, o grupo, que iniciou um ambicioso plano de redução de custos, pretende eliminar 15% de sua força de trabalho.

“Esperamos que o número atual de 235.000 funcionários diminua para algo próximo de 200.000 até 2022”, afirmou o CEO interino do banco, Noel Quinn.

Quinn, à frente do HSBC desde a saída surpreendente de John Flint em agosto, não revelou as regiões que serão afetadas, mas destacou que o número de demissões será considerável no Reino Unido.

O grupo anunciou no ano passado a redução de 2% de sua força de trabalho, o que representa 4.700 funcionários.

O HSBC planeja uma reorganização profunda, com o reforço das atividades na Ásia e Oriente Médio, considerados mais rentáveis, em detrimento do banco de investimentos na Europa e Estados Unidos.

“Projetamos reduzir nosso capital e nossos custos nas atividades com resultados decepcionantes para poder prosseguir com os investimentos naquelas com melhores perspectivas de rendimento e de crescimento”, anunciou o banco em um comunicado.

– Queda no lucro –

Nesta terça-feira, o HSBC anunciou uma queda de 53% em seu lucro líquido em 2019, a 5,97 bilhões de dólares.

“Alguns setores de nossas atividades não geram resultados aceitáveis”, declarou o CEO interino.

“Elaboramos um plano revisado para melhorar o rendimento de nossos investidores (…) e estabelecer as bases de um crescimento futuro sustentável. Já começamos a aplicá-lo”, completou.

A depreciação das aquisições, no valor de US$ 7,3 bilhões, vinculada principalmente às atividades de investimento e às operações de banco comercial na Europa, também contribuiu para os resultados anuais.

Enquanto na Ásia, as atividades registram bons resultados graças à China, o banco está sob forte pressão nos Estados Unidos e na Europa, sobretudo pela guerra comercial China-EUA e pela saída do Reino Unido da União Europeia.

Nos Estados Unidos, o banco planeja reduzir sua rede em 30%, consolidar as atividades e reduzir custos operacionais em 10-15%.

Na Europa, sem contar o Reino Unido, o banco “reduzirá suas vendas e atividades de mercado e suas atividades de pesquisa”.

A Ásia continua sendo a região crucial para o HSBC, responsável por metade de seu volume de negócios.

Mas a epidemia de coronavírus pode abalar as perspectivas do banco por gerar turbulências econômicas em Hong Kong e na China continental, com possíveis efeitos para os resultados de 2020.