Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, assumiram o controle da estratégica cidade portuária iemenita de Mocha, no litoral do Mar Vermelho, nesta quinta-feira (10). A informação, divulgada inicialmente pela agência Reuters e confirmada por fontes militares, indica que o grupo está cada vez mais próximo de capturar o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do mundo.
- Rebeldes houthis capturam a cidade portuária de Mocha, no Iêmen, e se aproximam do Estreito de Bab el-Mandeb.
- Ações do grupo, apoiado pelo Irã, representam uma ameaça significativa ao tráfego marítimo global e da Arábia Saudita.
- A intensificação dos combates ocorre em meio a tensões regionais e recentes ataques houthis a infraestruturas sauditas.
Segundo testemunhas, combatentes houthis entraram em Mocha entoando palavras de ordem contra os Estados Unidos e Israel. “Morte à América, morte a Israel”, gritavam. A cidade, também conhecida como al-Makha, situa-se a aproximadamente 70 quilômetros ao norte de Bab el-Mandeb. Essa passagem é estratégica, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
Os combates entre as forças militares do Iêmen e os rebeldes intensificaram-se nos últimos dias. Fontes da imprensa internacional relatam que os houthis também teriam tomado a Ilha Zuqar, no sul do Mar Vermelho, após ataques com mísseis e uma ofensiva terrestre.
Qual o impacto no tráfego marítimo?
Em entrevista à Al Jazeera, o analista de defesa Wolfgang Pusztai afirmou que, caso o grupo consolide o domínio sobre a cidade, passará a controlar efetivamente toda a costa iemenita do Mar Vermelho. Essa posição estratégica facilitaria uma eventual tentativa de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb.
Pusztai explicou que os houthis estão avançando mais rapidamente do que as forças governamentais. Se conseguirem cortar a ligação rodoviária entre Taiz e Mocha, isso representaria um duro revés para o governo. O analista também destacou a estreita largura do Bab el-Mandeb.
O estreito tem aproximadamente 20 quilômetros entre suas margens, um contraste significativo com os cerca de 50 quilômetros do Estreito de Ormuz. Essa característica, segundo Pusztai, permitiria aos houthis ameaçar embarcações a partir da costa. Eles poderiam utilizar até mesmo artilharia, sem necessariamente recorrer a mísseis ou drones.
“Seria, sem dúvida, um duro golpe para o tráfego marítimo da Arábia Saudita e para a navegação internacional”, afirmou o analista. A tomada de Mocha ocorre em meio ao aumento das tensões regionais, poucos dias após os houthis atacarem, com foguetes, infraestruturas petrolíferas da Arábia Saudita.
Da IstoÉ com ANSA.
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