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Hong Kong aprova lei que pune ‘desrespeito’ ao hino chinês

PEQUIM, 04 JUN (ANSA) – O Parlamento de Hong Kong aprovou nesta quinta-feira (04) uma polêmica lei que torna crime “desrespeitar” o hino chinês em qualquer manifestação pública.   

Quem for flagrado vaiando ou usando a “Marcha dos Voluntários” de maneira indevida poderá pegar até três anos de detenção. A oposição, que se absteve de votar porque considerava que a questão já estava definida, acusou Pequim de fazer mais uma manobra para acabar com a liberdade de expressão dos moradores de Hong Kong. Ao todo, foram 41 votos a favor e um contrário.   


A votação aconteceu em um clima tumultuado e de alta tensão, sendo que os policiais precisaram intervir após dois deputados pró-democracia jogarem um “líquido de mau odor” dentro do Parlamento. Conforme a emissora pública local “RTHK”, Chu Hoi-dick e Ray Chan jogaram uma espécie de fertilizante no local para protestar, já que a legislação foi aprovada no dia em que os chineses lembraram os 31 anos do massacre da Praça da Paz Celestial, também conhecida como Praça Tiananmen. “Um assassino fede para sempre. Aquilo que fizemos hoje foi para relembrar o mundo que não deveremos nunca perdoar o Partido Comunista Chinês por ter matado o seu povo há 31 anos”, disseram em nota os parlamentares.   

Além dos protestos dentro do Parlamento, o Victoria Park em Hong Kong ficou repleto de manifestantes nesta quarta-feira, que levaram pequenas velas para relembrar a morte de centenas de manifestantes em 1989. Apesar de não ser autorizado, o ato reuniu centenas de pessoas no local. Prédios e centros comerciais de Hong Kong também acenderam velas nas janelas para homenagear as vítimas. No entanto, apesar da manifestação ter sido pacífica, os agentes destacados para proteger o local prenderam diversos manifestantes por “bloquearem estradas” e jogaram bombas de gás para dispersar e finalizar a vigília.   

A situação política e social está muito tensa em Hong Kong por conta da aprovação pelo Congresso Nacional do Povo da China de uma lei de segurança nacional para o território. A medida, segundo os opositores e diversos governos internacionais, mina a liberdade dos moradores do território e acaba com o conceito “um país, dois sistemas”. O principal ponto polêmico dos sete artigos apresentados é o item quatro, que prevê punições severas para quem cometer “traição, secessão, sedição e subversão”, atos terroristas e interferência de governos internacionais. Como o tema é amplo, os opositores acreditam que serão impedidos de protestar no país sem serem duramente punidos. (ANSA)