RJ: homenagem à Ludmilla termina em discussão entre vereadoras do Psol e PL

Briga entre Benny Briolly (PSOL) e Fernanda Louback (PL) começou após votação que concedeu à cantora o título de cidadã niteroiense

Reprodução / Sérgio Gomes/Câmara de Niterói
Foto: Reprodução / Sérgio Gomes/Câmara de Niterói

Durante uma sessão plenária na Câmara Municipal de Niterói, as vereadoras Benny Briolly (PSOL) e Fernanda Louback (PL) iniciaram uma discussão na terça-feira, 3, após a cantora Ludmilla ter ganhado o título de cidadã niteroiense. Depois de garantir 8 votos favoráveis e 6 contrários, a sessão foi interrompida devido ao bate-boca e à troca de acusações.

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No momento em que Benny Briolly comemorava a vitória, ela diz que o título seria uma forma de honrar a artista pela representatividade às pessoas pretas, pobres e periféricas. “Não aceitam ver uma mulher preta, pobre e favelada crescer e hoje ser um dos maiores nomes da música popular brasileira, é um racismo que está colocado diante de uma sociedade”, declarou.

“Nós não vamos admitir que esse racismo venha marginalizar a cultura preta, pobre e periférica. É inadmissível que as pessoas olhem para uma mulher que produz arte popular e não a respeitem”, disse a vereadora.

Em resposta, Louback disse que Ludmilla infringiu, durante as comemorações de réveillon em Niterói, a Lei Municipal 4.097/2025, mais conhecida como Lei Anti-Oruam, que proíbe o uso de recursos públicos para contratar ou divulgar eventos voltados a crianças e adolescentes com conteúdo que faça apologia ao crime ou às drogas.

“Agora a gente vai dar o título de cidadã niteroiense a uma pessoa que veio para a nossa cidade e infringiu a lei do município. É um escárnio, como tudo que estou vendo aqui”, declarou.

A vereadora argumenta que as músicas de Ludmilla infringiriam essa lei. Ela estabeleceu uma ligação entre o caso da adolescente que foi estuprada por quatro outros adolescentes e a letra de uma música da artista.

Após a votação, Louback ainda declarou que “parece que hoje é crime no Brasil você ser branco”.

“Vocês me desculpem por ter nascido [branca]. Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro é de família alemã”, continuou

A sessão então foi interrompida antes do tempo previsto por conta do entrevero.

Confira a sessão

 

Discussão continuou nas redes

Após o episódio, as vereadoras se manifestaram nas redes sociais. Segundo Benny Briolly, parlamentares da bancada do PL na Câmara Municipal teriam avançado de forma agressiva contra ela e membros de sua equipe, em uma tentativa de intimidação após um resultado considerado desfavorável ao partido.

O perfil oficial de Benny Briolly, em uma postagem conjunta com portais de notícias sobre a cantora Ludmilla, publicou um vídeo em que a própria vereadora afirma ter sido “quase agredida” fisicamente por Louback.

Na mesma rede social, Louback rebateu as críticas e afirmou que a quebra de decoro “partiu da esquerda”. Segundo ela, enquanto discursava na tribuna, Briolly teria ironizado sua fala, passado a gravar vídeos e tentado interromper o andamento da sessão. Louback acrescentou que pretende apresentar uma representação na Comissão de Ética da Câmara Municipal.

Até o momento desta publicação, a cantora Ludmilla não se manifestou publicamente sobre o ocorrido.