Homem que supostamente matou ex-deputado ucraniano na Espanha é preso na Alemanha

O homem que supostamente assassinou um ex-deputado ucraniano pró-Rússia em plena luz do dia em frente a uma escola nos arredores de Madri em 2025 foi detido na Alemanha, anunciou nesta quarta-feira (25) a polícia espanhola.

“Foi detido na cidade de Heinsberg”, no oeste da Alemanha, perto da fronteira com os Países Baixos, “o suposto autor material do assassinato do cidadão ucraniano”, informou a polícia em um comunicado, no qual não precisou a data da prisão.

“Agentes [da polícia espanhola] se deslocaram até a cidade alemã onde ocorreu a prisão”. Lá, “contaram com a colaboração do grupo de operações especiais da BKA alemã”, acrescentou o texto.

Em 21 de maio de 2025, Andrii Portnov, ex-chefe adjunto da administração presidencial ucraniana durante o mandato do pró-Rússia Viktor Yanukovich, foi morto a tiros em Pozuelo de Alarcón, um dos municípios mais ricos da Espanha, próximo à capital.

Jurista e ex-alto funcionário na Ucrânia, Portnov, de 51 anos, foi deputado na década de 2000, antes de se tornar chefe adjunto da administração presidencial de Yanukovich, o chefe de Estado pró-Rússia que fugiu da Ucrânia para a Rússia após a repressão violenta, em 2014, das manifestações pró-europeias conhecidas como a Revolução do Maidán.

Após a queda de Yanukovich, Portnov também fugiu do país e se instalou na Rússia e depois na Áustria, antes de retornar à Ucrânia após a eleição de Volodimir Zelensky em 2019.

Segundo a imprensa ucraniana, Portnov conseguiu, graças às suas conexões nas altas esferas, fugir da Ucrânia em junho de 2022, depois do início da invasão russa, apesar de que os homens de 18 a 60 anos estavam proibidos de deixar o país, salvo algumas exceções.

Apesar de seu perfil, a polícia espanhola considerou após o assassinato como a hipótese mais provável a de um “acerto de contas relacionado ao crime organizado”.

“Foi emitido um Mandado Europeu de Detenção e outra Ordem Europeia de Investigação para proceder à busca na residência do detido”, informou a polícia, que destacou que “as investigações continuam abertas para o total esclarecimento do fato”.

Portnov estava sob sanções por “corrupção” dos Estados Unidos desde dezembro de 2021, país que o acusava de ter cultivado “profundas conexões com o aparato judicial e os órgãos de segurança da Ucrânia por meio de suborno”.

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