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Holograma ‘palpável’, a nova proeza da tecnologia 3D

Holograma ‘palpável’, a nova proeza da tecnologia 3D

(Arquivo) O estudo foi publicado nesta quarta-feira na revista 'Nature' - AFP

O holograma da princesa “Leia” em “Star Wars” pode se materializar: uma tecnologia desenvolvida por cientistas permite projetar hologramas que podem ser vistos simultaneamente a olho nu, ouvidos e até “tocados”, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (13) na revista “Nature”.

Graças a ultrassons, este protótipo é capaz de projetar imagens em 3D, como uma borboleta, um balão ou um emoticon em movimento, tudo visível e audível sem capacete de realidade virtual ou qualquer outro dispositivo, segundo este estudo da faculdade de engenharia e informática da Universidade britânica de Sussex.

Os pesquisadores comparam este novo recurso com a imagem holográfica da personagem princesa Leia pedindo ajuda, que o robô R2-D2 projeta no chão no primeiro episódio da saga “Star Wars: uma Nova Esperança” (1977), mas com a adição de uma aparência tátil.

“Nosso sistema revoluciona o conceito de visualização 3D. O conteúdo não é apenas visível a olho nu, [mas] é em todos os aspectos igual a um objeto real, permitindo interagir com a projeção”, segundo Sri Subramanian, responsável pelo projeto.

O dispositivo, um “monitor de armadilha acústica multimodal” (MATD, pelas siglas em inglês), que funciona com a ajuda de um programa de computador, usa ondas sonoras para manter no ar uma partícula (como uma bola de gude), através da mecânica da levitação acústica. A partícula “capturada” é iluminada com luzes vermelha, verde e azul para controlar a cor.

Esta partícula de cor se desloca a uma velocidade que permite ao olho integrar os diferentes estímulos sob uma única forma, e ver uma “imagem volumétrica no ar”, explica Ryuji Hirayama, principal autor do estudo.

“Nossa tecnologia é baseada nos antigos televisores que usam um único feixe de cor que ilumina a tela tão rapidamente que seu cérebro a registra como uma única imagem”, acrescenta o pesquisador.

Simultaneamente, esta imagem pode produzir som e gerar uma “resposta tátil”.

“Os ultrassons são ondas que transportam a energia através do ar. Utilizando esta energia, nosso sistema pode estimular tua pele para sentir o conteúdo, como a sensação de um jato de ar pressurizado”, explica à AFP.

A equipe de pesquisadores acredita que esse sistema pode ser útil, devido ao seu “potencial de manipular a matéria sem tocar”, para algumas profissões como biomedicina, design ou arquitetura.