Cultura

‘História de um Casamento’ e Netflix dominam indicações ao Globo de Ouro

‘História de um Casamento’ e Netflix dominam indicações ao Globo de Ouro

A atriz Dakota Fanning anuncia os indicados da edição número 77 do Globo de Ouro, em um hotel de Beverly Hills - AFP

A Netflix liderou o número de indicações ao Globo de Ouro, com a ajuda de uma de suas produções, o filme “História de um Casamento”, do diretor Noah Baumbach, que marcou presença em seis categorias, incluindo melhor filme de drama, nesse evento que abre a temporada de prêmios de Hollywood.

“O Irlandês”, a epopeia sobre a máfia de Martin Scorsese, com de três horas e meia de duração, e “Era uma Vez em… Hollywood”, de Quentin Tarantino, receberam cinco indicações cada.

A premiação do Globo de Ouro acontece no dia 5 de janeiro de 2020 em Los Angeles.

O Globo de Ouro é visto como uma referência para o Oscar, cuja premiação acontece em fevereiro.

“História de um casamento” obteve indicações para seus protagonistas Scarlett Johansson e Adam Driver, e para seu roteiro, embora seu diretor, Noah Baumbach, não tenha sido indicado.

O filme conta a história da separação tumultuosa de uma atriz, interpretada por Johansson, e seu marido, um diretor de teatro narcisista interpretado por Driver.

Enquanto isso, Scorsese foi indicado na categoria de melhor diretor por “O Irlandês”, produzido pela Netflix, mas não houve indicação para seu protagonista, Robert De Niro. Em contrapartida, Al Pacino e Joe Pesci foram indicados por seus papéis coadjuvantes.

O drama da Netflix sobre o Vaticano “Dois Papas”, dirigo por Fernando Meirelles, também ganhou destaque, com quatro indicações. A obra mostra um encontro imaginário entre Bento XVI (Anthony Hopkins) e seu sucessor Francisco (Jonathan Pryce).

Já o sombrio “Coringa” recebeu a indicação de melhor drama, melhor ator para Joaquin Phoenix e melhor diretor para Todd Phillips.

O último de Tarantino, “Era uma Vez em… Hollywood”, concorrerá com “Rocketman”, filme biográfico dedicado ao cantor Elton John, “Jojo Rabbit”, no qual Johansson também atua, e “Meu nome é Dolemite”, que marca o regresso de Eddy Murphy – indicado a melhor ator – e que também foi produzido pela Netflix.

As indicações foram anunciadas em uma cerimônia em Beverly Hills pelo ator Tim Allen (“Toy Story”) e pelas atrizes Dakota Fanning (“Uma lição de amor”) e Susan Kelechi Watson (“This Is Us”).

– Ausência de diretoras –

A Netflix recebeu 17 indicações para produções cinematográficas, em comparação com oito da Sony, o segundo estúdio na lista de mais indicados.

“Não estou surpreso com esse domínio, estou surpreso com o quão enorme ele é”, disse à AFP Lorenzo Soria, presidente da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, cujos 87 integrantes ativos foram convocados a votar para decidir estas indicações.

Este ano os membros do júri prescindiram de incluir mulheres na lista de diretores em competição, reativando uma polêmica recorrente no setor.

“Não nos representam (…) Não esperem nenhuma justiça no sistema de recompensas”, criticou no Twitter Alma Har’el, diretora do filme “Honey Boy”, que não foi indicado.

“Não votamos em função do gênero. Votamos em função dos filmes e seus méritos”, disse Soria a Variety.

O Globo de Ouro é um dos prêmios mais cobiçados do cinema americano, e são um indicador importante de filmes e atores com boa possibilidade de ganhar a famosa estatueta dourada do Oscar.

A 77ª edição do Globo de Ouro, que também recompensa a televisão, será em Beverly Hills dois dias antes do término da votação dos indicados ao Oscar.

A Netflix também dominou as indicações relacionadas à televisão. “The Crown”, uma série produzida por essa plataforma sobre a família real britânica, aparece em quatro categorias.

Com “The Morning Show” e a dupla de atrizes formada por Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, o novo serviço de streaming da Apple recebeu três indicações.

No total, a Netflix obteve 17 indicações para a televisão, em comparação com 15 da sua rival histórica HBO.

“Dor e glória”, do espanhol Pedro Almodóvar, disputará o Globo de Ouro o prêmio de melhor filme estrangeiro com o drama histórico “Portrait of a Lady on Fire” de Céline Sciamma e “Os Miseráveis” de Ladj Ly, ambos da França. “Parasita”, do sul-coreano Bong Joon-ho, que ganhou a Palma de Ouro na última edição de Cannes, e “The Farewell”, de Lulu Wang, completam a categoria.

O espanhol Antonio Banderas também concorrerá ao Globo de Ouro de melhor ator por seu papel em “Dor e glória”.