Os ‘heróis invisíveis’ que podem brilhar na final da Copa entre Argentina e Espanha

Enquanto Messi e Yamal atraem holofotes, jogadores coadjuvantes de Argentina e Espanha se mostram peças-chave na decisão do título

Os 'heróis invisíveis' que podem brilhar na final da Copa entre Argentina e Espanha

Neste domingo (19), a final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha, que colocará frente a frente os astros Lionel Messi e Lamine Yamal em Nova Jersey, promete um espetáculo. Contudo, para além do brilho de suas principais estrelas, há uma constelação de “heróis invisíveis” cujas atuações foram cruciais para que suas seleções chegassem à decisão. Estes coadjuvantes essenciais, muitas vezes fora dos holofotes, são peças-chave na estratégia de suas equipes.

O que aconteceu

  • Heróis invisíveis como Cristian Romero, Lisandro Martínez e Alexis Mac Allister foram fundamentais para a chegada da Argentina à final da Copa do Mundo.
  • Pelo lado da Espanha, jogadores como Pedro Porro, Mikel Merino e Mikel Oyarzabal destacam-se como peças decisivas e goleadores da equipe.
  • Apesar dos holofotes em Messi e Yamal, o desempenho desses atletas “secundários” é apontado como crucial para o sucesso e o possível título das seleções.

É verdade que Lionel Messi tem sido crucial para o sucesso argentino na Copa. Dos 19 gols da Albiceleste, o camisa 10 participou de 12, com oito gols – artilheiro da competição – e quatro assistências. Mas para o atacante decidir lá na frente, Cristian Romero, por exemplo, tem sido fundamental no sistema defensivo.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) estabeleceu um sistema de avaliação dos jogadores de cada seleção a partir de dados coletados durante as partidas, chamado Power Ranking. No caso de atletas de linha, são três categorias: ataque, criatividade e defesa.

Pelo sistema de avaliação da Fifa, o camisa 9 Cristian Romero se destaca com a sexta melhor nota (7.34) entre todos os jogadores da Copa. Na vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, nesta quarta-feira (15), em Atlanta (Estados Unidos), pelas semifinais, ninguém superou o zagueiro nas ações defensivas (7.79). (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

O defensor também foi importante no ataque. O gol de cabeça, após cruzamento de Messi, marcado aos 34 minutos do segundo tempo da partida contra o Egito, pelas oitavas de final, quando os hermanos perdiam por 2 a 0, deu início à reação argentina, que venceria o confronto em Atlanta por 3 a 2.

A solidez da defesa argentina

Companheiro de Cristian Romero na zaga, Lisandro Martínez é outra peça fundamental à Argentina no Mundial. Apesar da estatura considerada baixa para um jogador da posição (1,75 metro), o defensor chama atenção pela liderança e o senso de posicionamento, que justificam a confiança do técnico Lionel Scaloni.

Além disso, Lisandro Martínez tem auxiliado as movimentações ofensivas da Albiceleste com qualidade nas bolas longas. Foi a partir de um lançamento preciso do zagueiro, da intermediária, que Lionel Messi abriu o marcador contra Cabo Verde no duelo pelos 16 avos de final. Naquele jogo em Miami (Estados Unidos), o zagueiro também balançou as redes, após cobrança de escanteio do camisa 10.

Quem colaborou para esse gol de Lisandro Martínez, desviando a bola para o zagueiro finalizar, foi outro que não se destaca exatamente pela estatura (1,76 metro), mas tem chamado atenção, principalmente, no jogo aéreo. A cada confronto, Alexis Mac Allister se firma como elemento surpresa da Argentina.

O meia Alexis Mac Allister, de 1,76m, se destacou no Mundial principalmente pelo jogo aéreo e precisão nos chutes: ele acertou duas vezes a trave na semifinal contra a Inglaterra. (Foto: Reuters/Brett Davis)

Foi pelo alto que ele fez o primeiro gol da vitória por 3 a 1 sobre a Suíça, em Kansas City (Estados Unidos), nas quartas de final. Contra a Inglaterra, o meia acertou duas vezes a trave, uma de cada lado. Na primeira delas, apareceu no meio de dois zagueiros bem mais altos para cabecear. É um alvo para não se descuidar.

A força espanhola em destaque

E se há uma defesa que não tem se descuidado é justamente a da Espanha, que sofreu apenas um gol na Copa. Era sabido que a trinca formada pelos zagueiros Aymeric Laporte e Pau Cubarsi e pelo lateral-esquerdo Marc Cucurella seria difícil de superar. O lado direito, porém, suscitava dúvidas sem o experiente Dani Carvajal, que perdeu espaço devido a lesões.

Dúvidas que Pedro Porro extinguiu. No Power Ranking da Fifa, ele tem o segundo melhor desempenho defensivo da Copa (7.69), só atrás do volante Rodri (8.03), seu parceiro de seleção. No ataque, as tramas com Lamine Yamal pela direita já renderam dois gols ao lateral, inclusive o que garantiu a vitória por 2 a 0 sobre a França, em Dallas (Estados Unidos), pelas semifinais.

Pedro Porro tem o segundo melhor desempenho defensivo da Copa (7.69), só atrás do volante Rodri (8.03), seu parceiro de seleção, de acordo com o Power Ranking da Fifa. (Foto: Reuters/Lisi Niesner)

Mas os gols decisivos têm sido a especialidade de Mikel Merino neste Mundial. Foram dois, ambos saindo da reserva, que sentenciaram os triunfos por 1 a 0 sobre Portugal, em Dallas, pelas oitavas; e por 2 a 1 para cima da Bélgica, em Los Angeles (Estados Unidos), nas quartas.

E dá para dizer que esse “heroísmo” de Mikel Merino não surpreende. Foi dele o gol, no último minuto da prorrogação do confronto diante da Alemanha, que levou a Espanha às semifinais da Eurocopa de 2024. A Fúria viria a ser campeã do torneio.

Oyarzabal: artilheiro discreto

Se está difícil brigar por vaga de titular em um meio-campo que tem Rodri, Fabian Ruiz, Dani Olmo, Pedri e Gavi, o diferencial de Mikel Merino é a versatilidade trabalhada no Arsenal (Inglaterra), em que é comandado pelo também espanhol Mikel Arteta. O meia aprendeu a ser um elemento surpresa e, por vezes, o chamado “falso 9”, um centroavante que não é fixo à área e recua para buscar a bola.

Já Mikel Oyarzabal é um atacante de ofício. Não é daqueles lembrados quando se elencam os candidatos a artilheiro, mas os números pela Espanha, principalmente desde que fez o gol do título da Eurocopa há dois anos, contam outra história. São 18 gols nos 22 jogos seguintes à final de 2024, contra a Inglaterra. Nesta Copa, já anotou cinco, sendo o goleador da Fúria até aqui.

O atacante Mikel Oyarzabal balançou a rede nas seis finais que disputou ao longo da carreira. Nesta Copa, ele já anotou cinco, sendo o goleador da Fúria até o momento. (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Além disso, se ele está em campo em uma final, é certeza de bola na rede. Não é exagero. Mikel Oyarzabal fez gols nas seis que disputou na carreira. Entre elas, a da Olimpíada de Tóquio (Japão), vencida pelo Brasil. Em três das decisões, saiu campeão. Além da Eurocopa, o atacante deixou a marca dele em duas conquistas da Real Sociedad na Copa do Rei, em 2021, contra o rival Athletic Bilbao (foi o do título) e este ano, diante do Atlético de Madrid.

A final será decidida pelos astros ou pelos coadjuvantes?

É natural que as câmeras e holofotes, a partir do momento que argentinos e espanhóis entrarem em campo, voltem-se a Lionel Messi e Lamine Yamal. Mas não estranhem se a bola do título sobrar nos pés – ou na cabeça – de algum outro herói, que deixará de ser invisível para escrever o nome na história do maior momento do futebol mundial.

*Com Agência Brasil