O ex-magnata do cinema Harvey Weinstein, condenado por crimes sexuais que impulsionaram o movimento #MeToo, afirmou em entrevista recente que sua rotina no cárcere é um “inferno”. O ex-produtor, que outrora ditava as regras em Hollywood, hoje cumpre pena na prisão de Rikers Island, em Nova York, onde alega viver sob constante medo e isolamento.
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Resumo:
- Weinstein nega acusações de agressão sexual, admitindo apenas infidelidade conjugal;
- O ex-produtor relata ter sido agredido fisicamente por outro detento em Rikers Island;
- Aos 73 anos, ele afirma sofrer de câncer nos ossos e teme morrer na prisão;
- Defesa do ex-magnata busca anulação de sentenças em Nova York e na Califórnia.
A queda de Harvey Weinstein representa um dos marcos mais significativos da história recente do entretenimento e do Direito Penal dos Estados Unidos. Em entrevista à “The Hollywood Reporter”, publicada nesta terça-feira, 10, o ex-vencedor do Oscar descreveu um cenário de vulnerabilidade. Segundo ele, sua rotina é acompanhada estritamente por guardas para evitar o contato com a população carcerária comum.
“É muito perigoso estar perto de outras pessoas. Outros presos vão para o pátio. Mas, sempre que vou lá, sinto que estou sendo vigiado”, declarou o ex-produtor. Ele relatou um episódio de violência ocorrido enquanto aguardava para utilizar o telefone: “Perguntei ao cara na minha frente se ele já tinha terminado. Ele me deu um soco forte no rosto. Caí, sangrando por toda parte. Fiquei muito ferido”.
Ascensão, queda e o movimento #MeToo
Durante décadas, o nome de Harvey Weinstein foi sinônimo de prestígio em premiações como o Oscar, sendo o responsável por sucessos como “Shakespeare Apaixonado” e “Pulp Fiction: Tempo de Violência”. No entanto, seu poder era exercido por meio de um temperamento feroz e, conforme as denúncias, de abusos sistemáticos. A indústria cinematográfica silenciou sobre o comportamento do produtor até 2017.
Naquele ano, investigações publicadas pelo “The New York Times” e pela “The New Yorker” revelaram dezenas de relatos de assédio e estupro. O escândalo deu origem ao movimento #MeToo, que encorajou mulheres em todo o mundo a denunciar abusos de poder.
Em 2020, Weinstein foi condenado em Nova York a 23 anos de prisão. Embora essa sentença específica tenha sido anulada posteriormente por questões processuais, um novo julgamento realizado em junho de 2025 o considerou culpado de duas acusações de agressão sexual. Além disso, um tribunal da Califórnia o sentenciou, em 2023, a mais 16 anos de reclusão por estupro — pena que deve ser cumprida sequencialmente à de Nova York.
Argumentos de defesa e estado de saúde
Apesar das múltiplas condenações e do testemunho de dezenas de mulheres, Harvey Weinstein mantém a postura de negação. Para ele, o que ocorreu em quartos de hotel ao longo dos anos não configura crime, mas sim um comportamento moralmente reprovável perante sua família.
“O que eu estava fazendo de errado não era agressão sexual. Era trair minha esposa. Eu estava desesperado para esconder esse segredo dela”, afirmou à publicação americana.
O ex-magnata argumenta que havia um “desequilíbrio de poder” e reconhece que sua personalidade pode ser “assustadora e difícil”, mas insiste que as relações foram consensuais. “Houve mulheres que sabiam exatamente o que esperar. Talvez tenham se sentido mal depois ou se arrependido. Talvez tenham visto uma oportunidade de conseguir um pagamento”, disparou, em uma tentativa de deslegitimar as vítimas.
Atualmente com 73 anos e utilizando cadeira de rodas, a saúde de Weinstein é um ponto central de suas apelações judiciais. Ele confirmou ter passado por uma cirurgia cardíaca de emergência e revelou um diagnóstico de câncer nos ossos. “Independentemente do que achem que fiz de errado na minha vida, eu não recebi pena de morte. Vou completar 74 anos em março. Não quero morrer aqui”, concluiu.
A defesa do ex-produtor aposta em novos recursos para provar sua suposta inocência nos julgamentos que ainda restam. Enquanto isso, ele permanece sob custódia em Nova York, aguardando as próximas definições da Justiça dos EUA.