Harry vai a tribunal e diz que jornal tornou vida de Meghan ‘um inferno’

LONDRES, 21 JAN (ANSA) – O príncipe Harry compareceu nesta quarta-feira (21) a Alta Corte de Londres pelo terceiro dia consecutivo de audiências da batalha judicial movida, ao lado de outras celebridades, contra o grupo editorial britânico do Daily Mail (Associated Newspapers Limited).   

Em seu depoimento, o segundo filho do rei Charles III afirmou que o jornal Daily Mail tornou a vida de sua esposa, Meghan Markle, “um verdadeiro inferno”.   

Segundo ele, sua “cruzada” contra a imprensa sensacionalista do Reino Unido é de “interesse público” e representa também “milhares de pessoas” que teriam sido vítimas da “ganância” dos tabloides.   

Harry relembrou o impacto da morte de sua mãe, a princesa Diana, em 1997, quando tinha 12 anos, e o tratamento “abusivo” que ela recebeu da mídia até o acidente fatal em Paris.   

O príncipe declarou ainda que, durante anos, foi condicionado pela família real a seguir a regra de “nunca reclamar, nunca explicar”, o que teria limitado sua capacidade de reagir judicialmente às invasões de privacidade por parte da imprensa.   

Segundo ele, a situação se agravou a partir de 2016, quando seu relacionamento com a atriz norte-americana Meghan Markle se tornou público. “Passei a me sentir cada vez mais incomodado com a falta de ação da imprensa diante dos ataques cruéis, do assédio persistente e de artigos invasivos, por vezes racistas, contra minha esposa”, disse.   

Por fim, Harry enfatizou que acha “fundamentalmente errado termos que passar por isso novamente quando tudo o que solicitamos foi um pedido de desculpas e que assumam a responsabilidade”.   

A ação acusa o tabloide de práticas ilegais graves, como escutas telefônicas, uso sistemático de investigadores particulares e instalação de dispositivos de espionagem ao longo de vários anos. Além do duque de Sussex, integram o processo nomes como Elton John, Sadie Frost e Liz Hurley.   

O julgamento deve se estender por várias semanas antes da decisão final. Harry, de 41 anos, estava inicialmente previsto para depor como testemunha de acusação na quinta-feira, mas o cronograma foi alterado após a apresentação dos argumentos das equipes jurídicas das partes. (ANSA).