Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

Depois de diversos programas de televisão sobre sua família, milhares de reportagens abordando seu relacionamento amoroso e inúmeras biografias não autorizadas escarafunchando os mais diversos aspectos de sua existência, o príncipe Harry irá finalmente assumir o controle de sua narrativa. Desde que abandonou a vida como funcionário efetivo da coroa e migrou para os Estados Unidos ao lado de Meghan Markle, Harry tem tentado ser o protagonista de sua própria história. A primeira iniciativa para isso foi a bombástica entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, seguida de um programa sobre saúde mental para o serviço de streaming da Apple. Agora, chega a cereja do bolo: um livro de memórias que deve chegar às livrarias até o final do ano e já está causando calafrios à família real.

DESAVENÇA William e Kate: o casal virou inimigo? (Crédito:Chris Jackson)

Além de uma breve declaração à imprensa, pouco foi revelado. A obra, ainda sem título, foi escrita com a ajuda do ghost writer J.R. Moehringer, um vencedor do prêmio Pulitzer. Trata-se do autor responsável pela autobiografia do tenista Andre Agassi, um “livro-bomba” que virou best-seller em 2009 ao narrar o envolvimento do atleta com drogas. As memórias serão publicadas pela Penguin Random House, a maior editora do mundo, em um acordo estimado de 20 milhões de dólares. Uma fonte misteriosa disse ao jornal The Sun que o manuscrito “foi finalizado e passou por todos os processos legais. Está pronto e fora das mãos de Harry. A data de publicação foi adiada uma vez, mas acontecerá até o final do ano”. O conteúdo deverá responder a algumas questões importantes que cercam a família real. Quem foi o membro da realeza que temia pela cor de pele de seu filho com a duquesa de Sussex? Qual sua relação com a madrasta Camila? O elo entre William e Kate foi rompido definitivamente?

“Estou escrevendo não como  o príncipe que nasci, mas como o homem que me tornei”
Príncipe Harry, duque de Sussex

Harry não deve dizer nada negativo sobre a rainha, especula-se, mas o mesmo não pode ser dito em relação ao resto de sua família. O príncipe Charles estaria particularmente preocupado com a possibilidade de Harry mirar em sua esposa, já que ela teria tido um papel crucial nas dificuldades pelas quais sua mãe, a princesa Diana, passou enquanto ainda era casada. Para Carolina Pavesi, doutora em relações internacionais pela London School of Economics, os britânicos estão vendo esse lançamento como uma forma de traição. “Nos EUA, Harry e Meghan são populares, mas no Reino Unido as coisas são diferentes. Suas atitudes são percebidas como ataques desnecessários”, explica. Carolina diz que a coroa sempre foi marcada por grandes escândalos e que, por mais polêmica que a obra possa ser, a instituição é sólida e deverá se recuperar.

MADRASTA Charles estaria preocupado com possíveis revelações sobre a mulher Camila (Crédito:Kirsty O'Connor)

“Estou escrevendo não como o príncipe que nasci, mas como o homem que me tornei. Usei muitos chapéus ao longo dos anos, literal e figurativamente, e minha esperança é que, ao contar minha história — os altos e baixos, os erros, as lições aprendidas — eu possa ajudar a mostrar que temos mais em comum do que pensamos, não importa de onde viemos”, disse o duque de Sussex sobre a obra. A antropóloga Beatriz Accioly, que estuda violência de gênero na internet, aponta que o “personagem” criado em torno da figura de Meghan Markle vende e por isso é muito fácil que as pessoas joguem sobre ela a culpa por Harry ter abandonado a Inglaterra. “O livro é uma tentativa de contar a versão dele, de uma pessoa que nunca foi apaixonada pela vida na realeza, mostrar que a mudança não foi orquestrada por Meghan”, diz. Enquanto a publicação segue rodeada de mistérios, os tabloides já afirmam que há até o risco de a rainha Elizabeth II morrer de desgosto com a obra. Aos 96 anos, com 70 anos de reinado, a monarca, pelo menos em público, não deverá se deixar abalar.