Hantavírus em cruzeiro: OMS descarta risco de pandemia

Com três mortes confirmadas no navio MV Hondius, organização afirma que baixa taxa de contágio da cepa Andes limita perigo à população em geral

Hantavírus em cruzeiro: OMS descarta risco de pandemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) insistiu, nesta sexta-feira (8), que o risco do hantavírus para a população em geral continua sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros presos no navio de cruzeiro afetado por um surto mortal.

Três passageiros do MV Hondius morreram e outros foram infectados por esse vírus pouco comum, que normalmente se propaga entre roedores.

A cepa Andres, única de hantavírus que pode ser transmitida de humano para humano, foi confirmada entre os passageiros que tiveram resultado positivo nos testes, alimentando a preocupação internacional.

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Espera-se que o navio, que navega sob bandeira holandesa e leva a bordo cerca de 150 pessoas, chegue no domingo à ilha espanhola de Tenerife, nas Canárias. Nesse mesmo dia começarão as evacuações por avião para os países de origem dos passageiros e tripulantes, indicou o governo espanhol.

“Trata-se de um vírus perigoso, mas unicamente para a pessoa realmente infectada. Quanto ao risco para a população em geral, continua sendo extremamente baixo”, declarou à imprensa em Genebra um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Ele destacou que, mesmo entre as pessoas que se hospedaram nas mesmas cabines com alguém contaminado a bordo do cruzeiro MV Hondius, “parece que, em alguns casos, nenhum dos dois está infectado”.

“Isso demonstra mais uma vez que, felizmente, ao que tudo indica o vírus não é tão contagioso a ponto de se transmitir facilmente de uma pessoa a outra”, afirmou.

A OMS informou na quinta-feira que havia, no total, cinco casos confirmados e três suspeitos do vírus, e uma atualização dos números era esperada para sexta-feira.

Comissária da KLM testa negativo

A operadora de cruzeiros Oceanwide Expeditions disse que 30 passageiros, incluindo a primeira vítima fatal, desembarcaram na remota ilha britânica de Santa Helena em 24 de abril.

Um voo semanal partiu dali rumo a Joanesburgo no dia seguinte, o que gerou uma cadeia de rastreamento de contatos não apenas nessa conexão, mas também nas viagens posteriores para o resto do mundo.

Uma comissária de bordo da companhia aérea KLM, que apresentou sintomas leves e foi hospitalizada em Amsterdã, testou negativo para hantavírus após realizar um exame, anunciou nesta sexta a OMS.

Uma passageira doente, esposa da primeira pessoa que morreu no surto, esteve brevemente em um avião de Joanesburgo para os Países Baixos em 25 de abril, mas foi retirada antes da decolagem. Ela morreu posteriormente em um hospital de Joanesburgo.

Segundo o porta-voz da OMS, Lindmeier, o fato de a comissária ter testado negativo é “uma boa notícia”, pois demonstra que alguém pode entrar em contato com uma pessoa infectada e ainda assim não contrair o vírus. “Ele não está se propagando nem de longe como a covid se propagava”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que “a situação está, em nossa opinião, amplamente sob controle”.

Passageiros aliviados

O MV Hondius, que também tem sido utilizado para expedições polares, zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1.º de abril, para um cruzeiro através do oceano Atlântico até Cabo Verde.

Três casos suspeitos, entre eles dois tripulantes que posteriormente testaram positivo, foram evacuados de Cabo Verde para os Países Baixos.

O youtuber Kasem Ibn Hattuta, que viaja no Hondius, disse que os passageiros ficaram tranquilos ao saber que médicos haviam embarcado no navio antes da partida rumo a Tenerife.

“Finalmente deixamos Cabo Verde, o que foi um grande alívio para todos a bordo, especialmente sabendo que nossos companheiros doentes finalmente estão recebendo a atenção médica de que precisam”, declarou.

Origem do foco ainda desconhecida

Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode ser contraído por contato com roedores. A infecção por esse patógeno pode provocar uma síndrome respiratória aguda.

Dado que o período de incubação da cepa Andes do vírus presente na América Latina pode chegar a seis semanas, “é possível que sejam notificados mais casos”, acrescentou.

Os três passageiros falecidos desde o início do cruzeiro são um casal holandês e um alemão.

Embora a origem do foco continue desconhecida, segundo a OMS, o primeiro contágio ocorreu antes do início da expedição, já que o primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, já apresentava sintomas em 6 de abril. Ele e a esposa haviam viajado pelo Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar.

Atualmente há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, na Suíça, na Alemanha e na África do Sul.

Agora, as Canárias aguardam com inquietação a chegada do cruzeiro, ainda atormentadas pela pandemia de covid-19. O governo regional, contrário à chegada do MV Hondius a Tenerife, assegurou que o navio “não atracará”, e sim “será fundeado” em frente à costa.