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Haftar volta à Líbia sem assinar trégua definitiva

MOSCOU, 14 JAN (ANSA) – O marechal Khalifa Haftar, que lidera uma ofensiva para reunificar a Líbia sob seu poder, deixou Moscou, na Rússia, sem assinar um cessar-fogo definitivo com o governo de união nacional chefiado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj.   

O pacto havia sido firmado pelo premier na última segunda-feira (14), mas Haftar pedira tempo até esta terça (15) para refletir.   

Segundo fontes qualificadas, o marechal decidiu ir embora para “se aprofundar” melhor nos termos do acordo e “propor alterações”.   

Ao deixar Moscou, Haftar não teria estabelecido um prazo para retomar as negociações. Seu objetivo seria ganhar tempo para discutir o pacto com as tribos e os países que o apoiam: Egito e Emirados Árabes Unidos.   

A decisão de Haftar arrisca esvaziar a conferência internacional prevista para o dia 19 de janeiro, em Berlim, para discutir uma solução definitiva para o conflito. “Se Haftar continuar assim, a conferência de Berlim não terá sentido”, criticou o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu.   

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Uma fonte do Exército Nacional Líbio, conjunto de milícias comandado pelo marechal, disse à ANSA que o Parlamento de Tobruk não quis fazer concessões a Trípoli.   

A proposta de cessar-fogo definitivo foi feita por Rússia e Turquia e prevê uma interrupção no envio de tropas de Ancara à Líbia – o governo turco apoia Sarraj.   

O acordo ainda estabelece que milícias armadas deponham as armas e que os poderes políticos sejam distribuídos entre o governo de união nacional, baseado em Trípoli, o parlamento paralelo estabelecido em Tobruk, no leste do país, e as forças de Haftar.   

O Exército Nacional Líbio ficaria responsável por combater o terrorismo, em coordenação com o gabinete de Sarraj, e por garantir a segurança de poços de petróleo e gás. Apesar de Haftar ainda não ter assinado a trégua definitiva, um cessar-fogo provisório continua em vigor.   

Entenda a crise – A Líbia se fragmentou politicamente após a queda de Muammar Kadafi, em 2011, e desde então é palco de conflitos entre milícias.   

De um lado, está o governo de união nacional guiado por Sarraj e apoiado pelos grupos armados de Trípoli e Misurata, pela ONU, pela Itália e pela Turquia; do outro, o Parlamento de Tobruk, fiel a Haftar, que tem apoio do Egito e dos Emirados Árabes.   

O marechal, que busca derrotar o Islã político, e o Parlamento de Tobruk não reconhecem a legitimidade do governo Sarraj – instituído por uma conferência de paz no Marrocos, em 2015 – e controlam a maior parte do país, principalmente o leste e o desértico sul.   

Ex-aliado de Kadafi, Haftar ajudou o coronel a derrubar o rei Idris, em 1969, mas rompeu com o ditador em 1987, após ter sido capturado no Chade. De lá, guiou, com o apoio da CIA, um fracassado golpe contra Kadafi. Por duas décadas, viveu como exilado nos Estados Unidos e ganhou cidadania americana.   

Haftar se inspira no presidente do Egito, que deu um golpe militar em 2013 para derrubar o islamista Mohamed Morsi e o governo da Irmandade Muçulmana, colocada na ilegalidade. (ANSA)

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