O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu a manutenção de Geraldo Alckmin como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o partido está confortável com a escolha feita em 2022. A declaração foi dada nesta sexta-feira, 20, durante café com jornalistas na capital paulista.
O futuro de Alckmin ainda é uma incógnita nos bastidores do Palácio do Planalto. Na quinta-feira, 19, Lula deixou aberta a possibilidade de que o vice-presidente se candidate ao Senado, mas o ex-governador de São Paulo já deu sinalizações de que pretende se manter na chapa Lula-Alckmin na disputa pela Presidência da República.
Aos jornalistas, Haddad disse ser o maior entusiasta da chapa e reforçou a necessidade de aguardar o desfecho das conversas para definir o futuro de Alckmin. “Acho natural que Alckmin seja o vice. Até pelos acordos que o próprio presidente fez questão de frisar no ato. É uma pessoa muito confortável no cargo e todos nós estamos muito confortáveis com essa decisão de 2022. Sou o maior entusiasta de que os dois compõem uma chapa muito importante para o Brasil”, disse.
Internamente, o PSB pressiona o PT a manter Alckmin como vice de Lula, mas caciques petistas têm enviado sinalizações ao MDB em busca de ampliar a base e consolidar a adesão de parte do Centrão na campanha. Nomes como o do ministro Renan Filho (Transportes) e do governador do Pará, Helder Barbalho, foram cogitados, mas os emedebistas ainda não deram retorno. De acordo com interlocutores das duas legendas, os movimentos seguem abaixo do esperado.
Apesar da indefinição, aliados de Lula já admitem a tendência de manutenção de Alckmin na chapa. A avaliação, contudo, é de que o vice-presidente terá papel central em São Paulo, estado que governou por quatro mandatos. Quando esteve à frente do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin teve forte adesão no interior, região onde o PT enfrenta maior dificuldade de ampliar votos.
“Vamos ver como terminam as conversas. Quero ouvir o Alckmin. Ele tem muita experiência, nos ajudou demais em 2022. Queremos ouvir o quanto ele conhece o estado para tomar a melhor decisão”, reforçou Haddad.
Fernando Haddad também minimizou a possibilidade de ser escolhido como sucessor natural do espólio político de Lula nas eleições de 2030. Ele disse ser cedo para discutir o assunto, afirmou que na política brasileira os cenários mudam rapidamente e ressaltou o foco na pré-candidatura em São Paulo.
“Não trabalho com esse calendário na política. Uma coisa é planejar estado, cidade e país. Outra é o futuro pessoal. Especialmente no Brasil, onde surgem figuras novas, outras entram em declínio – às vezes por uma frase. Aqui é preciso zelar por tudo o que se fala e como se fala. É muito delicado”, declarou.
“Não acredito em outra coisa além de: ‘exerça bem aquilo para o que foi designado’. Caso contrário, comece a fazer o que você faz bem. Vi isso acontecer muitas vezes: pessoas que ocuparam cargos importantes e começaram a pensar no próximo passo. Faça bem feito aquilo para o que você foi designado”.
Haddad desconversa sobre chapa
Fernando Haddad desconversou sobre a formação de sua chapa e a escolha do segundo nome ao Senado. Segundo ele, as conversas devem começar nos próximos dias, após o anúncio oficial de sua pré-candidatura.
“Ainda não realizei as conversas que pretendo nos próximos dias com Márcio [França], Caio França, Alckmin, Tábata [Amaral], [Guilherme] Boulos, Érika [Hilton] e Marina [Silva]. Muitas pessoas estavam pré-agendadas comigo e queriam conversar. Pedi paciência para que eu pudesse me centrar internamente, entender onde seria mais útil e ampliar possibilidades — não apenas de vitória, mas também de projeto”, declarou.
O ex-ministro reforçou a manutenção da coalizão das eleições de 2022 e disse estar satisfeito com a composição de partidos que já aderiram ao seu nome na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Questionado sobre alianças com partidos conservadores, Haddad não descartou a possibilidade, desde que não haja conflito com o programa de governo.
“Conversarei com todos que estiveram conosco em 2022 e também com quem não esteve, para construir um leque amplo de alianças já no primeiro turno e garantir uma condição competitiva melhor”, afirmou.
“No mínimo, vamos repetir a aliança que tivemos em 2022. Tenho muita confiança de que essa coalizão será mantida. Estou confortável com essa base e vamos tentar ampliá-la, desde que não haja incompatibilidade programática”, concluiu.