Haddad desconversa sobre chapa, nega férias e minimiza obstáculos no interior

Petista deve intensificar conversas sobre vice ao governo de SP nas próximas semanas e prevê manter a coalizão formada em 2022

Fernando Haddad
Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, durante café com jornalistas Foto: Diogo Zacarias

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), desconversou sobre a formação de sua chapa e a escolha do segundo nome ao Senado. Segundo ele, as conversas devem começar nos próximos dias, após o anúncio oficial de sua pré-candidatura.

O impasse pela escolha do vice de Haddad passa justamente pela definição de uma das vagas ao Senado. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, disputam a preferência para a disputa ao Senado. Ambos também são cotados para a vice na chapa ao governo paulista.

Em conversa com jornalistas, Fernando Haddad afirmou que ainda não iniciou tratativas formais com aliados para definir os cargos e a estrutura de campanha. As negociações devem avançar nos próximos dias.

“Ainda não realizei as conversas que pretendo nos próximos dias com Márcio [França], Caio França, Alckmin, Tábata [Amaral], [Guilherme] Boulos, Érika [Hilton] e Marina [Silva]. Muitas pessoas estavam pré-agendadas comigo e queriam ter conversado. Pedi paciência para que eu pudesse me centrar internamente, entender onde seria mais útil e ampliar possibilidades — não apenas de vitória, mas também de projeto”, declarou.

Outro cotado ao Senado é o vice-presidente Geraldo Alckmin. Na quinta-feira, 19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acenou para essa possibilidade, embora o próprio Alckmin tenha sinalizado preferência por permanecer na chapa que disputará o Planalto. O PSB, partido do vice-presidente, chegou a cobrar do PT a manutenção no posto, o que foi defendido por Haddad.

O ex-ministro da Fazenda reforçou a importância de manter a coalizão formada nas eleições de 2022 e afirmou estar satisfeito com a composição de partidos que já aderiram à sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes. Questionado sobre alianças com partidos conservadores, Haddad não descartou a possibilidade, desde que não haja conflito com o programa de governo.

Fernando Haddad

Fernando Haddad defendeu formação de chapa forte ao Senado, mas evitou citar nomes; Márcio França e Marina Silva disputam o espaço, enquanto Geraldo Alckmin corre por fora

“Conversarei com todos que estiveram conosco em 2022 e também com quem não esteve, para construir um leque amplo de alianças já no primeiro turno e garantir uma condição competitiva melhor”, disse.

“No mínimo, vamos repetir a aliança que tivemos em 2022. Tenho muita confiança de que essa coalizão será mantida. Estou confortável com essa base e vamos tentar ampliá-la, desde que não haja incompatibilidade programática”, concluiu.

Haddad foca na candidatura e mira o interior

Fernando Haddad afirmou que não pretende tirar um período de descanso após deixar o Ministério da Fazenda. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira. Segundo ele, viagens pelo interior ainda não estão previstas, e o foco inicial será a articulação política e a elaboração do plano de governo.

“No momento, não farei descanso nem viagens pelo estado. Quero primeiro reunir e organizar grandes lideranças e especialistas. Tenho obsessão por um plano: quero um plano consistente para São Paulo. Vou me dedicar agora a convidar essas pessoas, estar perto e organizá-las para que possam contribuir com esse projeto.”

Apesar disso, Haddad reconheceu que precisará dar atenção ao interior paulista, onde o PT historicamente enfrenta maior dificuldade de capilaridade eleitoral em comparação com a Grande São Paulo. Ainda assim, minimizou o obstáculo e afirmou que o fenômeno é observado em outras regiões do mundo, citando cidades como Nova York.

“O campo progressista em geral tem melhor votação nos grandes centros — é normal que assim seja, como em Nova York. Isso vale para estados e para o país. Temos mais dificuldade no interior. Fiz 55% na região metropolitana e 35% no interior. A dificuldade de penetração no interior é exatamente essa.”

“O desafio do diálogo mais amplo com setores mais conservadores continua, assim como com a metrópole. Esse desafio não é local, é mundial: dialogar com setores mais conservadores sobre temas da modernidade. Temos um diálogo a fazer nesse campo. Assim, você vai avançando aos poucos e mostrando às pessoas que há caminho e que nem toda mudança deve ser temida”, reforçou.