Hackers usam IA para burlar biometria e furtam R$ 80 mil de conta bancária

Criminosos teriam usado recursos de inteligência artificial para superar reconhecimento facial; Justiça determinou restituição do dinheiro e indenização ao cliente

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Foto: Imagem ilustrativa

Criminosos utilizaram recursos de inteligência artificial para driblar o sistema de reconhecimento facial de um aplicativo bancário e retirar R$ 80 mil da conta de um cliente. O caso terminou na Justiça, que determinou que a instituição financeira devolvesse o valor e pagasse indenização ao correntista.

A fraude teria sido realizada com técnicas capazes de criar representações digitais do rosto da vítima a partir de fotografias e vídeos. O material foi utilizado para tentar reproduzir características necessárias para superar a autenticação biométrica e obter acesso à conta.

Sistemas de reconhecimento facial utilizados por instituições financeiras normalmente contam com mecanismos destinados a verificar se há uma pessoa real diante da câmera. Além da comparação das características do rosto, podem ser analisados movimentos e outros sinais durante o processo de autenticação.

No caso, porém, os criminosos conseguiram superar a barreira de segurança e, depois de acessar a conta, realizaram movimentações que provocaram um prejuízo de R$ 80 mil.

Movimentações fora do padrão

Um dos pontos considerados no processo foi o comportamento das transações realizadas após a invasão. As operações apresentavam características diferentes da movimentação habitual do cliente, circunstância que levantou questionamentos sobre os mecanismos de prevenção e detecção de fraudes da instituição.

A Justiça entendeu que houve falha na prestação do serviço bancário e determinou a restituição do dinheiro retirado indevidamente da conta.

Além da devolução dos R$ 80 mil, a instituição financeira foi condenada ao pagamento de indenização por danos morais. O valor da compensação não foi divulgado.

IA amplia desafio para sistemas de segurança

O episódio chama atenção para uma nova frente de preocupação no setor financeiro: o emprego de inteligência artificial para sofisticar golpes digitais.

Ferramentas capazes de manipular imagens, vídeos e vozes podem ser exploradas por criminosos para tentar reproduzir características de uma pessoa e contornar mecanismos tradicionais de verificação de identidade.

Nesse cenário, a biometria deixa de funcionar necessariamente como uma barreira isolada. Instituições financeiras também precisam observar fatores como dispositivo utilizado, localização, histórico de movimentações e mudanças repentinas no comportamento da conta para identificar possíveis operações fraudulentas.

Para os clientes, medidas como ativar diferentes formas de autenticação, acompanhar notificações de movimentações e comunicar imediatamente operações desconhecidas ao banco continuam sendo importantes para reduzir possíveis prejuízos.