Hackers russos atacaram laboratórios nucleares dos EUA

Grupo Cold River tentou invadir sistema informático de unidades de pesquisa nuclear americanas em 2022, noticia agência. Hackers são notórios por diversos ataques de alta projeção e apoiam serviços secretos do Kremlin.Uma equipe de hackers russos conhecida como Cold River atacou em meados de 2022 três importantes laboratórios de pesquisa nuclear dos Estados Unidos, noticiou a agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (06/01), baseada em dados de cinco especialistas em cibersegurança.

Os alvos foram os laboratórios nacionais Argonne, Brookhaven e Lawrence Livermore. Registros online revelam tentativas do grupo para criar páginas de log-in falsas. Além disso, enviou e-mails fraudulentos a cientistas nucleares, a fim de convencê-los a revelarem suas senhas.

Não há informações sobre se alguma das investidas teve sucesso. Porta-vozes de Brookhaven e Lawrence Livermore recusaram-se a comentar, enquanto o do Argonne National Laboratory sugeriu dirigir as perguntas ao Departamento de Energia dos EUA. Este, por sua vez, declinou de comentar.

Cold River é "um dos mais importantes grupos de hackers"

O grupo Cold River despontou no radar dos serviços secretos ocidentais em 2016, ao tentar penetrar no sistema informático do Ministério do Exterior britânico. Segundo informações de nove firmas de cibersegurança à Reuters, nos últimos anos os hackers russos estiveram envolvidos em diversos de casos hacking em alta escala.

Os cibercriminosos intensificaram suas campanhas de hacking contra os aliados ocidentais da Ucrânia desde o início da invasão do país pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022. Entre seus alvos, estiveram a Polônia e a Letônia, assim como três ONGs europeias que investigavam crimes de guerra. Além disso, em maio último vazaram e-mails de um ex-chefe da MI6, a agência de informações estrangeiras do Reino Unido.

Segundo o vice-presidente da firma americana de cibersegurança CrowdStrike, Adam Meyer, o Cold River é "um dos mais importantes grupos de hackers de que já se ouviu falar", e esteve "envolvido em apoiar diretamente as operações de informações do Kremlin".

Os ciberataques aos laboratórios nucleares americanos coincidiram com a expedição de peritos das Nações Unidas para inspecionar a usina nuclear ucraniana de Zaporíjia. A finalidade da missão era avaliar eventuais vazamentos radioativos resultantes de um acidente causado por um bombardeio russo nas cercanias.

av (Reuters,ots)