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Habilidade de William é o trunfo do Cruzeiro na final da Superliga de Vôlei

Os torcedores mais antigos do vôlei, aqueles que ainda não se sentem confortáveis com essa saraivada de pancadas desferidas por gigantes em que se transformou a modalidade, podem reservar parte do seu tempo para observar a final da Superliga Masculina neste domingo, a partir das 9h40, no ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Em quadra, com a camisa do Sada/Cruzeiro-MG, estará um certo William, com a camisa 7, a mesma vestida por William Carvalho, um dos craques da geração de prata dos anos 80, que se impunha mais pela habilidade do que pela força bruta e estatura.

William, admirador daquele estilo clássico, procura dar um toque mais inspirado ao jogo, abusando das fintas, mestre na arte de iludir bloqueadores. Ele lidera o time de Contagem (MG), favorito destacado perante o Brasil Kirin/Campinas-SP e que busca seu quarto título na Superliga, depois dos triunfos em 2011/2012, 2013/2014 e 2014/2015.

Como todo bom capitão, William rejeita a atribuição de favoritismo a seu time. “É uma final em jogo único. Teremos que resolver na quadra. Na hora de decidir, não vai ser a melhor campanha ou qualquer outro aspecto que vai apontar o campeão”.

Resoluto, William moldou a sua personalidade de atleta e abreviou seu amadurecimento devido a uma tragédia familiar. Seu pai foi uma das 99 vítimas do acidente do Fokker 100 da TAM de 1996, em São Paulo. Chegou a pensar em abandonar a carreira e ficou temeroso com as viagens de avião. Em 1997, convocado para defender a seleção brasileira no Mundial Infanto-Juvenil, pensou em não embarcar. “O Mundial foi na Índia, seriam horas e horas voando. Decidi viajar”, contou o levantador. O Brasil ficou apenas na quinta posição, mas William foi escolhido o melhor jogador da sua posição na competição.

De uma hora para a outra, William se viu na necessidade de se tornar o arrimo da família e de ser responsável pelo sustento da família, de suas irmãs. Dedicado, o jogador se aprimorou. Enquanto progredia, peregrinou por vários clubes até se transferir para o Drean Bolívar, da Argentina. Lá, conquistou quatro títulos nacionais e pensou até em se naturalizar, fazendo por merecer, com toda a justiça, o apelido de “El Mago”.

EX-PARCEIRO – Do outro lado, no entanto, há gente não menos obstinada. É o caso de Wallace, que foi colega de William no Bolívar. Depois de se restabelecer de uma cirurgia no ombro, padeceu de uma lesão no joelho que também terminou em procedimento cirúrgico. A recuperação consumiu mais seis meses. Os seguidos problemas levaram-no a pensar em abreviar a carreira e lhe dar um ponto final, mas o amor pelo vôlei falou mais alto.

A persistência de Wallace foi recompensada com a improvável classificação à final. Na série semifinal, a zebra campineira pisoteou o favoritismo do Taubaté-SP. Nos bastidores do vôlei, comenta-se que o orçamento do finalista é 40% inferior ao do adversário do Vale do Paraíba. “Ficar entre os quatro era o nosso objetivo inicial, mas deram a brecha e aproveitamos”, disse Alexandre Stanzioni, uma das maiores revelações recentes do vôlei brasileiro na função de técnico.

O estrategista, agora fixado em Campinas, é produto da equipe do São Bernardo-SP, que já revelou Roberley Leonaldo, mais conhecido como Rubinho, auxiliar técnico de Bernardinho e apontado como seu mais provável sucessor no comando da seleção brasileira.