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Há 75 anos tinham início os julgamentos de Nuremberg

Há 75 anos tinham início os julgamentos de Nuremberg

Vista da sala de audiências do Tribunal de Nuremberg, em setembro de 1946 - AFP/Arquivos


Em 20 de novembro de 1945 começava em Nuremberg o maior julgamento da História, no qual 21 dos mais altos dirigentes do regime nazista, entre eles o sucessor designado de Hitler, Hermann Goering, tiveram que responder pela primeira vez perante a justiça internacional por seus crimes.

Desde 1943, as potências aliadas refletiam sobre o destino dos criminosos de guerra alemães. Mesmo antes da capitulação, adotou-se o princípio de um processo sem precedentes perante um tribunal internacional e sem público.

Apenas seis meses depois do fim das hostilidades, os promotores, que são como os juízes das quatro potências aliadas (Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia) reúnem 300.000 testemunhos e 6.600 provas, apoiados por 42 volumes de arquivos.

O processo é realizado em uma cidade em ruínas, mas cujo Palácio de Justiça, conectado a uma prisão, continua de pé. Nuremberg, antiga cidade imperial é, sobretudo, um símbolo do nazismo, onde Adolf Hitler mantinha grandes reuniões e onde foram promulgadas as leis antijudaicas, em 1935.

– Crimes contra a humanidade –


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Às 10h de 20 de novembro de 1945, começa o julgamento na sala de audiências 600 do tribunal, na presença de centenas de jornalistas. “A verdadeira parte demandante no estrado é a civilização”, declara o promotor americano Robert Jackson.

No banco dos réus estão os mais altos dirigentes nazistas ainda vivos, após os suicídios de Hitler, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler.

Hermann Goering, ex-número dois do regime, fica lado a lado com Rudolf Hess, braço-direito de Hitler; Alfred Rosenberg, o ideólogo do partido; Fritz Sauckel, o responsável pelo trabalho forçado; e Joachim von Ribbentrop, o ministro das Relações Exteriores.

Os acusados devem responder a acusações de conspiração, crimes de guerra, crimes contra a paz e, pela primeira vez na História, crimes contra a humanidade.

Estes são definidos como “o assassinato, extermínio, escravidão, deportação e qualquer outro ato desumano cometido contra qualquer população civil, antes ou durante a guerra, ou perseguições por motivos políticos, raciais ou religiosos”. A noção de genocídio só seria reconhecida no direito internacional em 1948.

– O impacto das imagens –

Todos os acusados se declaram “nicht schuldig” (“inocente”). Mas a exibição de um filme gravado pelos aliados ocidentais nos campos de concentração dá rapidamente outra dimensão ao processo.

“Sauckel estremece ante a vista do forno crematório de Buchenwald. Quando se mostra um abajur feito de pele humana, Julius Streicher, chefe do jornal de propaganda nazista Der Sturmer, diz: ‘Não acredito nisso'”, descreverá Gustave Mark Gilbert, o psicólogo da prisão durante o processo em “Nuremberg Diary” (sem título em português), de 1947.

“Wilhem Frick (que redigiu as leis antissemitas de Nuremberg) acena a cabeça com ar incrédulo quando uma médica descreve o tratamento e as experiências infligidas às prisioneiras de Belsen”.

Entre as 33 testemunhas de acusação, a combatente da resistência francesa Marie-Claude Vaillant-Couturier, sobrevivente dos campos de Auschwitz-Birkenau e de Ravensbruck, faz um relato implacável de mais de duas horas: as mulheres que davam à luz tinham os filhos recém-nascidos afogados diante de seus olhos, os presos eram obrigados a beber água das poças antes de tomar banho, as listas eram passadas às três da manhã…

“Antes de tomar a palavra ante o tribunal, passei em frente aos acusados muito lentamente. Queria olhá-los nos olhos de perto. Me perguntava como as pessoas poderiam ser capazes de crimes tão monstruosos”, confidenciou ao jornal francês L’Humanité.

O veredicto é proferido em 1º de outubro de 1946: doze penas de morte (entre elas uma à revelia para Martin Bormann, o secretário de Hitler cuja morte era desconhecida na ocasião), três penas de prisão perpétua, duas penas de 20 anos de prisão, uma de 15 anos e uma de dez anos.

Três dos acusados conseguem se livrar da prisão. As absolvições surpreendem os observadores na época, mas respondem aos críticos do processo, que seus instigadores queriam que fossem “equitativos”.

– Goering se suicida –

Inédito em sua forma, Nuremberg não escapa, no entanto, às críticas de uma justiça feita pelos vencedores e não está isenta de zonas sombrias (o massacre de Katyn, que a promotoria soviética tenta em vão imputar aos nazistas, o pacto germânico-soviético escamoteado dos debates…).

À 01h da manhã de 16 de outubro de 1946, dez dos condenados à morte foram enforcados. Hermann Goering se suicidou horas antes em sua cela tomando uma cápsula de cianureto para escapar de um enforcamento que considerava indigno de um soldado.

Todos os corpos, inclusive o de Goering, são cremados e suas cinzas, espalhadas em um afluente do rio Isar para evitar que seus túmulos se tornassem locais de reunião.

Nuremberg dará lugar a outros 12 processos de autoridades nazistas (médicos, ministros, militares…).

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