Gustav Klimt: o artista do ouro

Gustav Klimt: o artista do ouro

Gustav Klimt (1862 – 1918) é um dos artistas mais valorizados da história da arte. Foi um pintor simbolista austríaco e um dos membros mais proeminentes do movimento Art Nouveau de Viena. Seu trabalho incluiu pinturas, murais, esboços e objetos que exploravam como tema principal o corpo feminino e o olhar sobre o erotismo. Por muitas vezes, foi identificado injustamente apenas de o “artista do quadro beijo”, mas sua obra foi muito além do que todos poderiam imaginar.

O interesse mundial por suas obras gira em torno da cor dourada. Sim, o ouro sempre exerceu um enorme fascínio no homem e, com Gustav Klimt, não foi diferente. Ele era filho de um ourives e entendeu quando ainda era criança a capacidade de hipnose desse material sobre as pessoas. Poucos sabem que ele era um menino pobre e o trabalho do pai juntamente com as classes de Arte Bizantina na Escola de Arte Aplicada de Viena definiram de vez o seu futuro. Chegou até a usar ouro de verdade (e não apenas pigmento) em muitas de suas obras, quando o dinheiro deixou de ser problema na sua vida.

Klimt começou sua carreira profissional pintando murais de interiores e tetos de importantes edifícios públicos austríacos. Atualmente, a maior coleção de suas obras está no Museu Belvedere, em Viena. Trata-se de um local único que poderia ser descrito como maravilhoso apenas pelo jardim, mas sua arquitetura imponente, suas paredes brancas e janelas enormes criam uma iluminação especial para o dourado das pinturas. O museu comprova que Viena, no início do século 20, era a capital da cultura e da ciência europeias. Por isso, super recomendo um tour virtual ou uma visita presencial após a pandemia.

Outro local que reúne importantes obras do artista é a Neue Galerie. Ela está bem no meio da cidade de Manhattan (1048 Fifth Avenue), quase na frente do The Met (The Metropolitam Museum of New York), mas por ironia do destino os turistas olham só para o lado de lá da calçada e esquecem do pote de ouro que se encontra na mesma avenida. A visita torna-se especialmente doce no final para quem para alguns minutinhos no Café Sabarsky. A famosa torta de chocolate de Vienna é servida no local, tornando a visita ao museu especialmente deliciosa.

Klimt foi um dos pais da arte moderna de Vienna e, assim como importantes artistas franceses, ele rompeu com a tradição artística da época que pintava recriando a realidade tridimensional na superfície bidimensional da tela, com composições muito parecidas com a realidade. A pintura clássica deu espaço a novas técnicas e perspectivas, abrindo uma nova avenida de possibilidades. Klimt soube explorar esse universo como ninguém, ao se recusar copiar o que estava à sua frente para lançar um novo estilo contemporâneo, capaz de nos hipnotizar.


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Ele percebeu que a forma tradicional de olhar a realidade não era suficiente para expressar as descobertas revolucionárias que poderiam ir muito além da visão. Com isso, ele começou a negligenciar as regras da perspectiva, bloqueando suas telas com padrões, formas e símbolos. Seu trabalho passou a ser classificado como inovador e ele ganhou a denominação de pai do modernismo austríaco.

Dizia que os corpos nus simplesmente representavam uma espécie biológica sujeita às mesmas leis procriadoras de qualquer outro mamífero. Entendo que esse olhar foi aprimorado depois que ele conheceu o trabalho de Charles Darwin e quando ele se aprofundou no campo da biologia, ao ficar fascinado com células e com óvulos (uma única célula gerando uma vida). É por causa desse interesse que Klimt incluía sempre em suas obras símbolos biológicos. Além disso, as mulheres sensuais de suas telas não apenas entretinham as fantasias eróticas masculinas, mas também personificavam um dos maiores mistérios de todos os tempos, o da criação da vida.

“O Beijo” é a obra mais popular de Klimt. Trata-se de uma pintura grande (180 cm x 180 cm) e que marca presença por ser uma das primeiras a mostrar um casal em tamanho real se abraçando, envolto em um manto de ouro e diante da perfeição do amor. A força masculina dominante é representada pela poderosa capa de blocos masculinos pretos e cinza, suavizada pela ondulação orgânica feminina, que lembra a árvore da vida. A mulher é representada como círculos giratórios de motivos florais brilhantes e linhas onduladas que fluem para cima. A chuva dourada abençoa a fertilidade e as folhas triangulares lembram imagens de água. O casal transmite a sensação de desejo erótico, de clímax e de intenso prazer. É impossível olhar para essa obra, que reproduz os mosaicos bizantinos de Ravenna (Itália), sem ficar fixar o olhar e sem deixar a mente viajar para um subconsciente enigmático.

Citando outra pintura famosa de seu extenso portfólio, “Danae” (1907) é uma verdadeira celebração à fertilidade feminina, do amor divino e da transcendência. Nela, Klimt incorporou os mesmos símbolos biológicos em sua pintura de Zeus, porém usa uma chuva de gotas douradas e retângulos negros para simbolizar o esperma de Zeus, juntamente com formas embrionárias para simbolizar a concepção. A mulher transmite erotismo em seu rosto e o prazer por estar no riacho dourado. Klimt criou uma grande aura sensual para seu trabalho e jogou o questionamento: por baixo de todo o raciocínio intelectual, somos governados apenas por um impulso sexual?

Talvez seja o desejo secreto, pertencente ao imaginário das pessoas, que contribuiu para que as obras de Klimt sejam amplamente reproduzidas em camisetas, bolsas, canecas e em uma infinidade de itens, sempre em busca do efeito luminoso, chamativo e decorativo presente em seu trabalho. É fato que muitos artistas estudaram o corpo feminino, mas os nus de Klimt se mostraram muito íntimos, provocativos e, portanto, ultrajantes para sua época.

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Por considerar o processo de reprodução e desenvolvimento humano sob uma luz naturalista e evolutiva, Klimt era considerado um pensador extremamente inovador para a época. Sim, ele rompeu barreiras com seu pensamento e sua arte. Klimt nunca fez um autorretrato porque dizia não estar interessado em si, mas em outras pessoas. Que o exemplo dele sirva de inspiração. Se tiverem uma boa história para compartilhar, por favor lembrem de mim. Aguardo sugestões pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou pelo Twitter.

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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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