A Casa de Artistas é uma produtora independente, fundada em 2003, que já alcançou mais de 350 mil pessoas e fez milhares de eventos no Brasil, como stand-ups comedy, teatrais, corporativos e musicais. Além de contar com grandes nomes do humor, como Rodrigo Marques e Hélio De La Peña. E tudo começou do zero, com o esforço do Guilherme Araújo e da Camila Canedo.
“A Casa de Artistas é, na verdade, um grande apanhado de negócios mal-sucedidos. Quando eu comecei, antes da Camila entrar, abri a empresa em 2003, com nome de Essência Vital Produções”, conta Guilherme Araújo, que é um dos diretores da produtora. Esse era o nome da empresa que ele usava para gerenciar sua banda, e não esperava que tudo fosse perdurar por tanto tempo.
Nessa época, Guilherme tinha 18 anos, e a banda acabou fracassando, fazendo com que a empresa ficasse parada. Logo depois, ele reativou, para que a empresa fosse uma agência de modelos, que também fracassou, durando apenas três anos. “Foi aí que a Camila virou minha sócia, lá em 2010. Esses fracassos foram lá em Goiânia, que é a minha cidade natal, foi lá que começamos a aprender a gerir um negócio”, completa.
Ao se juntar com Camila, que além de sócia, é casada com Guilherme, eles criaram o negócio voltado para produção de shows de humor. A primeira apresentação foi em Brasília, no dia 1 de fevereiro de 2012, para 15 pessoas. Desde então, eles não pararam mais. E a Casa de Artistas surgiu, com a ideia de que um lugar onde os artistas se sentem em casa. “Quando fizemos o primeiro show, entendemos que era algo que faríamos por muito, muito tempo. E, de modo natural, foi surgindo a Casa de Artistas como é hoje”, conta Guilherme.
E eles começaram o negócio do zero mesmo, sem investimento algum. “No começo não tinha nada, nós fomos fazendo eventos e vivendo desse baixo fluxo de caixa. De 2012 a 2016, trabalhamos com o que recebíamos dos eventos”, diz. Ou seja, se qualquer evento fosse mal, tudo ia mal. Não tinha nada para cobrir caso eles tivessem prejuízo. E, por isso, eles também não tinham como contratar outras pessoas, eram só os dois.
“Pelo baixo fluxo de caixa, eu e o Guilherme acumulamos uma série de funções para nós dois. E hoje em dia contamos com 50 pessoas trabalho junto com a gente”, conta Camila, a também diretora do Casa de Artistas. Durante alguns anos, as pessoas eram contratadas para ajudar a produzir o evento e só, mas o resto era todo feito pelos dois. E a diferença de faturamento em 10 anos é gritante.
Enquanto em 2012 eles obtiveram o faturamento de R$ 180.620,00, o bruto até Outubro de 2022, foi de R$ 6.521.000,00. “A gente nunca pensou nessa proporção de faturamento em 2012, porque não tínhamos essa perspectiva, só começamos a fazer. Foi aí que vimos que dava certo”, comenta Guilherme. E 2016 foi o ano da mudança para eles, como uma virada de chave.
“Fazíamos em Brasília a produção local, onde contratamos os humoristas para o evento. E em 2016 fomos para São Paulo, a convite de dois humoristas, André Santi e Nil Agra, e começamos a gerenciar a carreira desses artistas. E em 2017 começamos a trabalhar com o Rodrigo Marques, e de lá pra cá tudo mudou”, o empresário conta.
Em 2022, até novembro, foram mais de 300 eventos, com público de mais de 150.000 pessoas. E a Casa de Artistas já produziu especiais como: Falando Sério com Fabiano Cambota e Fábio Pessoa (2012), Hipnomagic Show (2013), Pretinho Básico com Edson Duavy (2013), Entre Outros com Gus Fernandes e André Santi (2014), Alto Falante com Nil Agra (2015), O Problema é Meu com Rodrigo Marques (2018), Desbocada com Bruna Louise (2018), Festival de Dez Anos da Casa de Artistas (2022), O Inimigo do Nível com Rodrigo Marques (2022), na Netflix, Nesse Naipe com Caio Martins (2022), O Psicologo tá Caro com Marcos Castro e Luciana Daulizio (2022) e Sincero demais para ter emprego com Bruno Romano (2022).
A produtora é conhecida por fazer humor 360, sendo muito importante para a cena do stand-up comedy no país, passando por todos os tipos de produções. Inclusive o “Prodcast”, o primeiro podcast do Brasil focado em produção de comédia stand-up e que tem como objetivo conversar sobre todas as dificuldades que a cena da comédia enfrenta no Brasil. Além da criação do e-book “20 Técnicas de Stand Up Comedy” e de um documentário.
Intitulado “Produzindo Risos”, o documentário, dirigido pelo próprio Guilherme, foi lançado em 2020 e abordou um panorama geral do que foi o mercado de comédia stand-up naquele ano. Com o depoimento de 46 produtores, foram tratados assuntos como a realidade do setor na pandemia, quais as dificuldades, o que foi preciso fazer para se reinventar, falaram sobre as perdas e, também, a expectativa para os próximos.
E quanto aos planos para o futuro, Guilherme diz que a ideia é, em três anos, chegar a 20 milhões de reais por ano. Além de lançar o curso chamado “Bora produzir”, e estarem esperançosos com as novas sociedades que fizeram pelo grupo Casa de Artistas Participações, que hoje conta com Casa de Artistas, Clube do Minhoca, Banca do Minhoca e Não Existe Produções.