Guerra no Oriente Médio evidencia a vulnerabilidade dos centros de dados

Os danos anunciados pela Amazon em vários centros de dados da empresa devido ao conflito no Oriente Médio demonstram a vulnerabilidade das infraestruturas cruciais, destacam especialistas à AFP.

Dois centros de dados da Amazon nos Emirados Árabes Unidos foram “atingidos diretamente” por drones, e uma instalação no Bahrein foi danificada por “um ataque de drones nas imediações”, informou a filial de computação em nuvem Amazon Web Services (AWS) em um comunicado na segunda-feira.

Até o momento, não foi possível determinar se as instalações da Amazon foram atacadas deliberadamente ou não, mas os incidentes mostram que os prédios repletos de equipamentos caros são frágeis e podem representar um alvo em tempos de guerra.

Os centros de dados “são ativos absolutamente críticos, porque é neles que estão armazenados todos os nossos aplicativos e os nossos dados”, explica Jonathan Hjembo, da empresa de dados Telegeography.

“São muito escassos (…) muito abaixo das necessidades atuais e futuras”, destaca a pesquisadora Cinza Bianco, do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR).

– Objetivos tentadores –

Em caso de guerra, os centros de dados podem virar pontos sensíveis e entrar no alvo de um inimigo. Apesar dos sistemas de alimentação de energia elétrica de emergência e dos grandes dispositivos de segurança física, como controles de acesso biométricos, agentes de segurança e perímetros reforçados, “quando se trata do perigo de mísseis, há coisas que as empresas não podem administrar”, explica Hjembo.

O analista Rene Buest, da empresa Gartner, considera pouco provável um ataque deliberado contra o centro da Amazon, porque o edifício é discreto e não pode ser identificado a partir do exterior.

Contudo, “no futuro podem se tornar alvos”, em particular se isso permitir perturbar as operações de coleta de informações ou o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial (IA) adversários, acrescenta.

– Estratégia dos Emirados –

Os Emirados Árabes Unidos estão particularmente avançados na construção de centros de dados, graças à relativa estabilidade política e à abundância de energia, destaca Cinzia Bianco.

Um campus de IA de cinco gigawatts, equivalente a um quarto da área de Paris, está sendo construído com o apoio de gigantes do setor de tecnologia dos Estados Unidos, OpenAI, Oracle, Cisco e Nvidia.

O país investiu mais de 147 bilhões de dólares (760 bilhões de reais) em IA desde 2024 e recebeu autorização – de um governo Donald Trump muito desconfiado – para importar chips avançados da Nvidia.

As concentrações de poder computacional devem tornar os centros de dados pontos de grande vulnerabilidade, afirmou Swapna Subramani, diretora de pesquisa para Índia, Oriente Médio e África na consultora Structure Research.

O cálculo emiradense também é político. “Eles acreditam que abrigar estas infraestruturas dará aos Estados Unidos, mas também a todos os outros países, mais um motivo para protegê-los”, afirma.

O incidente recente “é extremamente problemático, pois coloca em risco todo o trabalho diplomático realizado para obter autorização para abrigar estes grandes centros de dados e posicionar?se como um ator mundial importante no domínio da IA”.

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