Guerra no Irã deixa milhares presos no Oriente Médio

Guerra no Irã deixa milhares presos no Oriente Médio

"GuerraCompanhias aéreas cancelaram voos na região após fechamento do espaço aéreo sobre o Golfo. Alguns estão em navios de cruzeiro que não podem navegar pelo Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã.À medida que a guerra no Irã se espalha pelo Oriente Médio, dezenas de milhares de pessoas — turistas, viajantes a negócios, peregrinos e religiosos — viram-se inesperadamente presos em hotéis, aeroportos e navios de cruzeiro, sem nenhuma previsão de retomada de voos na região diante do fechamento do espaço aéreo sobre o Golfo Pérsico.

Alguns dos que estão presos foram forçados a buscar abrigo em meio a ataques aéreos, enquanto outros estão presos em navios de cruzeiro que atualmente não podem navegar pelo Estreito de Ormuz, diante do risco de bombardeios iranianos.

Até a segunda-feira (02/03), ao menos 12,9 mil voos haviam sido cancelados, segundo a Cirium, empresa de análise de dados de aviação.

Ainda que parte dos voos esteja sendo retomada aos poucos, governos ao redor do mundo estão organizando voos de evacuação para dar conta da demanda.

A situação segue perigosa para civis presos na região. Autoridades do Catar afirmam ter interceptado ataques iranianos ao Aeroporto Internacional de Hamad, em Doha — um dos principais hubs da região. Ataques também foram registrados a aeroportos no Bahrein, em Dubai, Abu Dhabi e no Kuwait.

Ainda há voos saindo e chegando na Arábia Saudita e no Omã, usados por muitos que viajam entre a Europa e a Ásia.

O espaço aéreo de Iraque, Israel, Kuwait, Líbia e Catar, contudo, seguiam fechados para a aviação civil até esta terça-feira, segundo a agência de notícias AFP.

EUA pedem que cidadãos deixem países da região

Em uma medida importante, o Departamento de Estado dos EUA instou na noite de segunda-feira todos os cidadãos americanos a deixarem mais de uma dúzia de países do Oriente Médio devido ao risco à segurança com as escaladas em curso que arrastaram a região para um caos significativo.

A Secretária Adjunta de Estado dos EUA para Assuntos Consulares, Mora Namdar, disse na plataforma social X que os americanos em países como Irã, Iraque, Jordânia, Líbano e Israel deveriam "PARTIR AGORA" usando qualquer transporte comercial disponível.

O Departamento de Estado também evacuou pessoal não essencial e famílias em seis nações, adicionando os Emirados Árabes Unidos à sua lista nesta terça-feira (03/03). Os Emirados Árabes Unidos, onde estão Dubai e Abu Dhabi, e há muito considerados um recanto seguro do Oriente Médio, foram arrastados para a guerra com o Irã, com interceptações e ataques.

Em Israel, enquanto isso, o embaixador dos EUA disse aos americanos que a melhor maneira de sair é pela Península do Sinai, no Egito.

Mike Huckabee escreveu nas redes sociais na manhã de terça-feira que a embaixada estava recebendo muitos pedidos de evacuação, já que a equipe da embaixada "está abrigada no local".

"Há opções MUITO LIMITADAS", escreveu ele. "Não sei quando o Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, reabrirá." Ele aconselhou os americanos a pegarem ônibus para os resorts egípcios de Sharm el-Sheikh e Taba, no sul do Sinai.

Os aeroportos de Dubai, Abu Dhabi e Doha, importantes centros de conexão entre a Europa, a África e o Ocidente para a Ásia, permaneceram fechados após terem sido atingidos diretamente por ataques iranianos.

Governos tentam repatriar cidadãos

O Itamaraty contabiliza cerca de 70 mil brasileiros vivendo atualmente no Oriente Médio.

Segundo reportagem da TV Globo, nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira conversou por telefone com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos para tratar do impacto direto para turistas brasileiros que estão em visita ao país ou se encontram retidos nos aeroportos de Dubai e Abu Dhabi.

Na Itália, o governo auxiliou com voos para Milão e Roma em meio às crescentes críticas contra o Ministro da Defesa, Guido Crosetto. O ministro provocou uma controvérsia política em seu país após ficar retido em Dubai com sua família durante a fase inicial do ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã.

Crosetto retornou a Roma no domingo em uma aeronave militar. A oposição de esquerda pediu a renúncia de Crosetto, alegando que ele não deveria ter viajado ao Oriente Médio durante uma crise. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o defendeu.

Estima-se que 30 mil turistas alemães permaneceram em navios de cruzeiro, hotéis ou aeroportos fechados no Oriente Médio, e o primeiro avião de Dubai para Frankfurt, na Alemanha, deveria pousar na tarde desta terça-feira.

O governo alemão também está buscando fretar aviões com dinheiro público para repatriar pessoas vulneráveis, incluindo viajantes doentes, crianças e gestantes.

A França também tenta organizar o retorno de milhares de franceses, disse o ministro das Relações Exteriores do país na terça-feira. Estima-se que 400 mil franceses estejam na região afetada pelo conflito.

Milhares retidos na Ásia

Os aeroportos de Dubai, Abu Dhabi e Doha, importantes centros de conexão entre a Europa, a África e o Ocidente para a Ásia, permaneceram fechados após terem sido atingidos diretamente por ataques iranianos.

Na Ásia, milhares de viajantes ficaram retidos na ilha turística de Bali, na Indonésia, devido ao cancelamento de voos internacionais.

Segundo dados oficiais, mais de 4 mil pessoas foram afetadas pelo cancelamento de voos para Doha, Dubai e Abu Dhabi somente entre sábado e segunda-feira. Muitos viajantes estavam preocupados com a possibilidade de seus vistos expirarem. As autoridades de Bali emitiram autorizações especiais para os afetados.

O aeroporto internacional de Bali informou que pelo menos 15 voos, incluindo oito partidas e sete chegadas, com destino a Dubai, Doha e Abu Dhabi, foram cancelados na tarde de segunda-feira. Dados das companhias aéreas mostraram que 3.197 passageiros que embarcavam foram afetados pelas interrupções, disse o porta-voz do aeroporto, Gede Eka Sandi Asmadi.

A Air France cancelou voos de e para Tel Aviv, Beirute, Dubai e Riad, enquanto companhias aéreas como Air India e KLM suspenderam voos e emitiram alertas.

As companhias aéreas americanas emitiram alertas de viagem, e a paralisação do transporte global abalou o setor de viagens nos mercados financeiros no início da segunda-feira, incluindo as ações de companhias aéreas que operam voos internacionais. United, Delta e American caíram entre 5% e 6%, e as redes hoteleiras globais despencaram. As companhias de cruzeiro, como a Carnival, sofreram quedas ainda maiores.

Viajantes que retornam aliviados

Na manhã de terça-feira, turistas romenos chegaram a Bucareste após viajarem de Israel para o Cairo para escapar do conflito. Centenas de peregrinos da Igreja Ortodoxa Romena ficaram retidos em Israel enquanto visitavam Belém em uma viagem liderada por padres romenos quando a guerra começou. O grupo foi forçado a encurtar a viagem e retornar à Romênia.

A peregrina Mariana Muicaru disse que ficou aterrorizada durante sua estadia em Israel, enquanto foguetes cruzavam o céu. "Ligamos para nossos filhos às três da manhã para pedir perdão porque poderíamos morrer, para dizer que os amamos e para que soubessem que tudo havia acabado para nós", disse ela à Associated Press.

Na noite anterior, viajantes britânicos que estavam presos nos Emirados Árabes Unidos ficaram aliviados ao pousar em segurança no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Adam Barton, que viajava com sua família de Abu Dhabi, disse que estava recebendo alertas enquanto estava no aeroporto antes de partir. "Recebemos um alerta no celular, dizendo para nos afastarmos das janelas devido a possíveis ataques de mísseis", disse Barton à emissora Sky News.

md/ra (AP, Reuters)