Edição nº2555 07/12 Ver edições anteriores

Guerra na PGR

TENSÃO Raquel Dodge vem sofrendo forte oposição interna do subprocurador Moacir Morais Filho (Crédito: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress)

Vai ficando cada vez mais tensa a relação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com o subprocurador Moacir Guimarães Morais Filho. O motivo é a divisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) entre os grupos de Raquel, de seu antecessor, Rodrigo Janot, e os independentes, do qual Moacir faz parte. A queda de braço entre Raquel e Moacir gira em torno do secretário-geral da PGR, Alexandre Camanho. Depois de requerer a abertura de investigação contra Camanho, Moacir agora foi além: fez uma representação para afastá-lo do cargo. Camanho é o braço direito de Raquel. O motivo são interceptações telefônicas de conversas de Camanho com o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-SP), o “homem da mala” surgido na delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

Atípicas

A interceptação telefônica revelou troca de mensagens consideradas “atípicas” por Moacir, entre Camanho e Loures, antes do episódio em que o deputado foi flagrado com uma mala de propina. Em uma das conversas, que está no inquérito dos Portos, Camanho teria se oferecido para intermediar uma conversa de Temer com os “meninos da Operação Lava Jato”.

Atrapalha

Moacir argumenta que o afastamento é necessário, pelo risco de Camanho “atrapalhar as investigações”. Camanho argumenta que os diálogos ocorreram quando ele presidia a Associação Nacional de Procuradores da República e Loures era assessor especial de Temer. Eram consequência das posições de ambos. A PF não viu crime.

Viviane

Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

A ideia de ter Viviane Senna, irmã do tri-campeão de Fórmula 1, Ayrton Senna, como ministra da Educação, foi bombardeada pela bancada evangélica. Eles consideram que ela teria ligações com movimentos ligados à esquerda. Ela, então, sugeriu o nome de seu assessor no Instituto Ayrton Senna, o educador Mozart Neves Ramos, que já foi secretário de Educação em Pernambuco, mas ele também foi detonado.

Rápidas

* O deputado federal e futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), pediu ressarcimentos da ordem de R$ 22 mil a título de refeições consumidas durante a atual legislatura. Foram 245 notas fiscais apresentadas à Câmara.

* O que impressiona na prestação de contas de Mandetta é um certo espírito marmiteiro. O futuro ministro da Saúde de Bolsonaro pediu ressarcimento até por embalagens de alumínio para levar os restos das refeições para casa.

* A Câmara dos Deputados abriu licitação para a compra de dois drones, que serão utilizados para “filmagens em áreas internas e externas” do prédio. A razão alegada para a compra é de segurança. Querem vigiar o local.

* Os drones serão utilizados nas ações de policiamento em dias de grandes eventos. O certame da licitação acontece no final do mês e a previsão é de um gasto de R$ 46,4 mil com os equipamentos e acessórios.

Retrato falado

“Teremos um dos melhores sistemas tributários do mundo” (Crédito:Filipe Scotti)

O deputado Luiz Carlos Hauly anima-se com a possibilidade de, finalmente, desengavetar a reforma tributária. Hauly negocia com o governo de transição a inclusão de sua proposta, que cria um IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) em substituição a uma série de impostos pagos hoje, simplificando o processo. Nas conversas com o novo governo, o projeto pode vir a ser alterado. Mas, segundo Hauly, há boa chance de que ele possa ser votado ainda este ano nas duas casas do Congresso.

Evangélicos profissionais

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), apoiador do MBL, deverá ser alçado à condição de líder da bancada evangélica na Câmara no próximo ano. Hoje, o bloco é coordenado pelo deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR). Sóstenes quer profissionalizar a atuação da bancada, fazendo com que ela de fato passe a responder como um bloco sólido no Parlamento. A expectativa é que a bancada, a partir de 2019, passe a realizar fóruns e atividades sistemáticas com o intuito de afinar discursos e aumentar seu poder de fogo no Congresso. A ideia é tornar sua estrutura semelhante a que existe nas lideranças dos demais partidos, inclusive da oposição.

Toma lá dá cá

Nilson Leitão, líder do PSDB na Câmara

Na próxima semana o PSDB definirá seu posicionamento com relação ao governo Bolsonaro. Já existe alguma decisão?
Na atual conjuntura política, existem apenas três caminhos possíveis. Oposição seria fazer o jogo do PT, e isso não faremos. As demais são apoiar o governo Bolsonaro ou adotar uma postura de neutralidade. Na minha visão, acho que o partido deve deixar Bolsonaro governar e agir com responsabilidade.

Isso seria um apoio?
Acho que temos que buscar o equilíbrio sempre. O que não podemos fazer é ficar sem tomar uma posição.

Há quem defenda o retorno das posições originais do PSDB, de social democracia.
Acredito que atualmente a sociedade quer bem mais do que isso. Não vejo como uma saída. O mundo evoluiu.

Sala e assessor

Isso implicaria ter sala própria, com estrutura de apoio, como um núcleo de assessoria de imprensa. Hoje, a bancada evangélica tem 78 membros. Para 2019, serão 91 deputados. A bancada da Bíblia, que também inclui católicos e conversadores religiosos, deve passar de 150 para 180 membros. O PT terá 56 deputados.

Voto impresso

A vitória não retirou dos apoiadores de Jair Bolsonaro, a desconfiança com relação ao voto eletrônico. Eleita pelo PRP do Distrito Federal, a deputado Bia Kicis fará um projeto de lei tornando o voto impresso obrigatório assim que tomar posse no ano que vem. Para ela, o voto impresso permite um mecanismo de auditagem da eleição, o ela acha ser importante.

Amostragem

Diante de alguma desconfiança quanto ao resultado de uma eleição, o voto impresso permitiria fazer uma recontagem por amostragem. Uma segurança que Bia Kicis não entende por que enfrenta resistência da Justiça Eleitoral. Por isso, ela quer torná-la lei. A Associação dos Peritos Criminais Federais, por exemplo, é favorável à medida.

Porta-voz

Divulgação

 

Garante uma pessoa próxima do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que o jornalista Alexandre Garcia foi mesmo sondado para ocupar a Secretaria de Comunicação do novo governo. Ele, porém, não aceitou. Garcia foi porta-voz do último presidente do regime militar, João Batista Figueiredo.

 

 


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