Economia

Guedes vê ‘exagero’ em críticas à política ambiental

Crédito: Marcos Corrêa/PR

Um dia depois de um grupo de 17 ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central (BC) divulgar uma carta na qual cobraram maior compromisso do governo brasileiro contra o desmatamento, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que há um “exagero enorme” nas críticas à política ambiental. Para ele, o Brasil é vítima de uma politização do tema a nível internacional.

Em entrevista concedida na noite desta quarta-feira à rádio Jovem Pan, Guedes reconheceu que há no mundo uma maior consciência ecológica, mas argumentou que o desmatamento não começou a ser feito no último um ano e meio (período coincidente com a gestão de Jair Bolsonaro) e fez uma comparação com a política de educação.

“Uma coisa é o que se diz e outra é o que se faz. Fala-se muito que o Brasil tem muita preocupação com educação, mas o Brasil é um dos últimos no Pisa. A preocupação dos sociais-democratas com a educação e o ambiente é muito bonita, mas o Brasil não queima floresta hoje, é algo que ocorre há décadas no Brasil”, disse.

O ministro afirmou também que o País é o que tem a agricultura mais sustentável e a maior área verde do planeta. “Quando vou lá fora, eu digo: vocês dizem que nós maltratamos nossos índios, mas os índios foram exterminados em alguns países. Vocês dizem que tratamos mal nossas florestas, mas temos a matriz energética mais limpa do mundo”, defendeu.

Guedes, contudo, afirmou que não basta falar, é preciso mostrar. “O mundo quer ser verde e nós, como seres humanos, percebemos que há essa poluição ambiental, ameaça de desastres ambientais, então temos que, de alguma forma, mostrar isso”, disse.

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Na avaliação dele, há “certo fundamento” nas críticas feitas à política ambiental do Brasil, mas vê também um “exagero enorme”, em contexto no qual o País estaria sendo vítima de uma politização do tema. “Há interesses protecionistas. Há países que há muitos anos temem nossa competição no setor agrícola e usam essa crítica para termos ganho de comércio”, afirmou.

Guedes ressaltou que o Brasil tem uma das legislações mais rígidas na área ambiental e que o País tem de ser contra tudo que é ilegal. “Temos de combater esses excessos, para termos condição de melhorar nossa imagem lá fora”, disse.

Ao falar do risco de o Brasil perder investimentos em razão de questões ambientais, ele lembrou que a pressão internacional em relação ao tema é feita principalmente por países avançados, da Europa.

“Mas há países que não pensam nisso. Para cada dólar que exportamos para Europa, exportamos três ou quatro vezes mais para China, mas a China não pergunta sobre isso. Nós vamos preservar o meio ambiente porque é interesse nosso”, disse. “E ninguém pergunta sobre o sistema político da China ou aperta a China por causa da sua política ambiental, que não foi tão preservadora como a do Brasil”, comparou.

Para Guedes, há “muita política” nessa discussão e o Brasil não pode ser “ingênuo”. “Nós temos interesse em preservar nossas riquezas, e temos muitos recursos naturais. Temos de usar nossos recursos de forma inteligente. Temos a matriz energética mais limpa do mundo, então não há sentido, para o grau de apedrejamento que recebemos hoje”, disse.

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