Economia

Guedes cogita vender reservas e câmbio vai a perto de R$ 5,40 na máxima


A posição defensiva tomada pelos investidores foi preponderante durante a sessão de negócios desta sexta-feira, 20, sendo pautada pelo recrudescimento das preocupações com a questão fiscal e, agora, sobre quais caminhos o governo deve adotar para tentar domar a expansão da dívida pública após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter dito que é possível vender reservas para abater parte do endividamento que deve encerrar 2020 muito perto de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). A moeda americana no mercado à vista encerrou o dia cotada a R$ 5,3858, em alta de 1,35%. No acumulado da semana, a variação ainda foi negativa em 1,64%.

Na noite desta quinta, 19, Guedes afirmou que fará “o que for necessário” para reduzir a dívida e citou, entre o cardápio de medidas para atingir esse objetivo, a possibilidade de “até vender um pouco de reservas”. O barulho do mercado de câmbio levou, inclusive, o secretário especial da pasta, Waldery Rodrigues, a se explicar hoje: “A fala do ministro Guedes entrou em um contexto de uma gestão macroeconômica mais integrada e melhor desenhada. É esse o entendimento que temos”, respondeu. Ainda assim, Waldery confirmou que, caso o BC decida de fato tomar ações nessa direção, haverá um impacto positivo importante sobre a dívida bruta. Ele lembrou que isso já foi feito no ano passado.

Uma das leituras feitas por integrantes do mercado é a de que, no ato da venda das reservas, de fato, o real se valoriza. No entanto, no minuto seguinte, ficará mais fraco porque a situação externa do país ficará mais suscetível. “O Brasil estaria em situação muito mais crítica, também do ponto de vista da nota soberana de crédito, se não tivesse esse colchão das reservas internacionais”, diz Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimento.

Nesta semana, em relatório no qual manteve o rating (BB-) e a perspectiva negativa inalterados, a agência de classificação de risco Fitch Ratings reforçou que o setor externo segue sendo a fortaleza do país. “Até porque, para abater a dívida, não deverá ser um volume muito pequeno. O mercado já enxerga adiante, pensando que vai enfraquecer em um dos pontos mais fortes das contas do país”.

Contato: simone.cavalcanti@estadao.com


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