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Guatemaltecos resistem em abandonar desaparecidos por erupção de vulcão

Guatemaltecos resistem em abandonar desaparecidos por erupção de vulcão

O Vulcão de Fogo visto do povoado de San Miguel Los Lotes, em Escuintla, em 11 de junho de 2018 - AFP/Arquivos

Moradores apoiados por socorristas voltaram nesta quinta-feira (14) à região devastada pela erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala em busca dos desaparecidos, após o desastre que deixou 110 mortos, mas foram evacuados pelo mau tempo na área.

“Por prevenção procedem com a evacuação da zona zero devido à chuva que começou no (povoado de) Alotenango”, disse a jornalistas o porta-voz da Coordenadora Nacional para a Redução de Desastres (Conred), David de León.

De León explicou que as tarefas foram suspensas temporariamente e poderiam recomeçar na sexta-feira, mas que dependerá das condições meteorológicas.

No início da manhã, o funcionário anunciou o começo dos trabalhos de busca e resgate de desaparecidos na destruída comunidade de San Miguel Los Lotes, no município de Escuintla, ao sul da capital.

Os socorristas haviam entrado na região do desastre depois que, na tarde de quarta-feira, suspenderam os trabalhos devido às fortes chuvas que atingem essa área.

As buscas têm sido intermitentes em San Miguel Los Lotes porque o vulcão continua ativo e as chuvas provocaram novos deslizamentos, o que aumenta o perigo no local, comentou o porta-voz da Conred, a cargo da Defesa Civil.

Os vizinhos sobreviventes mantêm a busca das vítimas apesar das advertências do risco pela instabilidade do lugar, e têm cavado para entrar em suas casas sepultadas por fluxos piroclásticos, apoiados por maquinaria emprestada por empresas privadas.

Depois da tragédia de 3 de junho, as autoridades ainda não declaram a região afetada como inabitável e campo-santo, medida que implica suspender definitivamente a busca pelos desaparecidos.

Dados da Conred indicam que 3.617 pessoas continuam em abrigos improvisados e em salões comunais pela catástrofe.

O presidente Jimmy Morales disse que a recuperação da área custará 80 milhões de dólares, enquanto o ministro das Finanças, Julio Héctor Estrada, declarou que em novembro o país solicitará ao Banco Mundial um empréstimo por catástrofes, mas sem detalhar o montante.

O chefe de Estado disse na noite de quarta-feira que nas próximas três semanas construirão 250 casas temporárias em uma propriedade estatal na cidade de Escuintla, onde depois farão um projeto permanente de cerca de mil casas.

O Instituto de Sismologia indicou em um relatório que o colosso registra entre 7 e 9 explosões fracas e moderadas diárias que expelem cinza a mil metros sobre a cratera e provocam avalanches de terra e sedimento vulcânico.