Grupos de direitos humanos pediram, nesta quarta-feira (24), a libertação de um ex-funcionário do comitê organizador da Copa do Mundo do Catar que, segundo a ONU, não recebeu um processo judicial justo.

Abdullah Ibhais, especialista em relações públicas de 38 anos, foi preso em 2021 e condenado por um tribunal do Catar a três anos de prisão por desvio de fundos públicos e corrupção.

No entanto, este cidadão jordaniano alegou que a sua confissão foi obtida sob coação e que foi acusado após criticar a gestão de uma greve de trabalhadores imigrantes no Catar.

As autoridades do Catar afirmam que o processo foi conforme estabelecido por lei e que Ibhais foi condenado com base em provas sólidas.

Os grupos de direitos humanos FairSquare, Anistia Internacional e Human Rights Watch (HRW) apelaram às autoridades do Catar para a “libertação imediata” deste ex-trabalhador que, segundo eles, está “detido arbitrariamente há três anos”.

As ONGs citaram um relatório publicado em maio por um grupo de trabalho da ONU sobre detenção arbitrária, que afirmava não haver base legal para a detenção de Ibhais e pedia a sua libertação.

A HRW afirmou que o ex-funcionário deveria ser libertado em outubro de 2024, mas a detenção pode ser prolongada até abril de 2025 caso não pague a multa aplicada pelo tribunal.

No momento da decisão, o comitê organizador da Copa do Mundo declarou que a afirmação de Ibhais de que o caso foi criado devido à sua defesa dos trabalhadores migrantes era “ridícula, difamatória e absolutamente falsa”.

O Catar foi criticado por várias ONGs internacionais pelo tratamento dado aos trabalhadores estrangeiros da África e da Ásia para construir as infraestruturas para a Copa do Mundo de 2022.

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