Membros de um grupo de alto nível da Organização de Estados Americanos (OEA) começaram a chegar neste domingo (20) ao Peru para analisar a crise política no país, onde o presidente, Pedro Castillo, é investigado por suspeita de corrupção.
A missão, aprovada em outubro pelo Conselho Permanente da OEA, foi enviada a pedido do presidente.
“Vamos nos reunir com todos”, disse à imprensa o paraguaio Eladio Loizaga, representante da secretaria-geral da OEA.
“Já nos expressamos em nosso comunicado no dia de ontem [sábado] sobretudo no referente à visita que a missão encomendada pelo Conselho Permanente vai fazer e por todos os Estados-membros da América e do Caribe”, acrescentou Loizaga após chegar ao aeroporto de Lima.
O grupo de alto nível, que permanecerá até a quarta-feira, tem reuniões previstas, a partir de segunda, com membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como organizações civis.
“Vamos ouvir o governo e a oposição, vamos ouvir representantes religiosos, sindicais, empresariais, profissionais e a sociedade civil”, disse no sábado Loizaga em mensagem de vídeo postada na conta da organização no Twitter.
A OEA “expressou sua disposição em dar apoio e cooperação ao requerimento do Peru, através de gestões que promovam o diálogo e fortaleçam o sistema democrático de governo”.
Além de Loizaga, compõem a missão os chanceleres da Argentina, Santiago Cafiero; do Equador, Juan Carlos Holguín; da Guatemala, Mario Adolfo Búcaro; do Paraguai, Julio César Arriola; da Costa Rica, Arnaldo André; e de Belize, Eamon Courtenay; assim como a vice-ministra de Assuntos Multilaterais da Colômbia, Laura Gil.
“Constitucionalmente, existe o equilíbrio de poderes e queremos explicar isso à OEA, que nos ajude a fortalecer o campo democrático do país, mas sobretudo que no Peru sejam respeitados os tempos democráticos, penso que isso é fundamental”, disse à imprensa o ministro do Trabalho e Promoção do Emprego, Alejandro Salas.
Castillo, no poder desde julho de 2021, já enfrentou duas tentativas de destituição no Congresso – dominado pela direita – e foi submetido a seis investigações por suspeita de corrupção, acusação que se estende ao seu círculo familiar e político mais próximo.
O presidente se considera vítima de uma campanha para tirá-lo do poder e denuncia um “golpe de Estado”.