Economia

Grupo asiático de celulose anuncia compra da Lwarcel

O grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), dono da gigante de celulose April, anunciou na quarta-feira, 23, a compra da paulista Lwarcel, ampliando sua participação no mercado brasileiro. As negociações se intensificaram nas últimas duas semanas, conforme antecipou o jornal O Estado de São Paulo.

O valor da transação, que inclui ativos florestais e industriais, não foi divulgado. Fontes do setor afirmaram que o negócio girou em torno de R$ 2 bilhões, incluindo dívidas de R$ 250 milhões da empresa que pertence ao grupo familiar Lwart, de Lençóis Paulista (SP). A operação depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O ativo, que pertence à família Trecenti, era um dos poucos disponíveis no País e passou a ser disputado por investidores estrangeiros após a megafusão entre Fibria e Suzano, anunciada em março, que ainda depende de aprovação, e da compra da Eldorado, que pertence ao grupo J&F, pela Paper Excellence, em setembro passado, a ser finalizada no segundo semestre.

Ao jornal O Estado de s. Paulo, Carlos Renato Trecenti, presidente do grupo, afirmou que a companhia estava em busca de sócios para expandir o negócio. “Falamos com vários grupos interessados e estávamos abertos a buscar um parceiro. As conversas evoluíram para a venda total do controle”, disse.

Com a aquisição da Lwarcel, que faturou R$ 617 milhões no ano passado, a RGE leva também ativos florestais, mas não as terras – a companhia possui 52 mil hectares de florestas em áreas arrendadas e parcerias locais. A capacidade de produção da companhia é de 250 mil toneladas. Os planos do grupo eram expandir a produção em mais 1,25 milhão de toneladas. Agora, com a transação, a RGE vai revisar as premissas desse projeto, que é estimado em R$ 5 bilhões, antes de tomar uma decisão.

Trecenti foi convidado a compor o conselho da RGE no negócio. A família, segundo ele, continuará com outros negócios – o grupo atua no segmento de rerrefino de óleo lubrificante usado. “Vamos analisar em quais áreas podemos diversificar.” A família foi assessorada pelo banco Morgan Stanley e pelo escritório Veirano Advogados.

Consolidação

A entrada da gigante Paper Excellence, da família indonésia Widjaja, no ano passado, acirrou a disputa por negócios de celulose no Brasil. Fontes a par do assunto afirmaram que o grupo asiático também chegou a fazer proposta pela Fibria. Essa aproximação levou a família Feffer, dona da Suzano, a engatar novamente conversas para se juntar com a principal concorrente, dos Ermírio de Moraes, criando o maior negócio global de celulose.

A RGE, com sede em Cingapura, já tem unidade produtora de celulose solúvel (usado para produção de viscose), na Bahia. Com ativos sob gestão de US$ 18 bilhões, a asiática afirmou, em nota, que pretende ampliar sua atuação no setor e o plano é operar a Lwarcel como um negócio independente no grupo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.