Após sucesso em ‘Grey´s Anatomy’, Eduardo Muniz estrela nova produção internacional

Em bate-papo para IstoÉ Gente, ator e diretor brasileiro, que celebra 20 anos de carreira, falou sobre conquista de papéis no exterior

Divulgação/Joanna Degenneres.
Após sucesso em ‘Grey´s Anatomy’, Eduardo Muniz estrela nova produção internacional. Foto: Divulgação/Joanna Degenneres.

Celebrando 20 anos de carreira artística, o ator e diretor Eduardo Muniz pode ser visto atualmente na televisão britânica. O carioca integra os novos episódios da série “Silent Witness”, no ar há quase três décadas na BBC. Na trama, ele interpreta Rodrigo da Silva, personagem que participa do arco final da temporada. O artista, que já havia participado da aclamada produção americana “Grey’s Anatomy”, retorna em breve à Inglaterra para um novo projeto envolvendo a mais recente obra do dramaturgo Alan Ayckbourn.

Recentemente, gravou um comercial no Japão e protagonizou uma campanha global para a Ford Motor Company. Atualmente, está em Nova York participando de um projeto em realidade virtual sobre a jornada de Theodore Roosevelt pela Amazônia.

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Eduardo estreou na televisão brasileira em 2006, no clássico infantil “Sítio do Picapau Amarelo”, da Globo. Também atuou em produções da Record, como as novelas “Luz do Sol” (2007), “Caminhos do Coração” (2007) e “Amor e Intrigas” (2007). No teatro, dirigiu montagens como “Afogando em Terra Firme”, indicada ao Prêmio APCA.

Radicado nos Estados Unidos desde 2011, vive em Los Angeles com a atriz e produtora Bia Borinn, desenvolvendo projetos internacionais no cinema, na televisão e no teatro. Em bate-papo para IstoÉ Gente, o ator falou sobre carreira e a conquista de espaço em produções internacionais.

 

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Você é mais um artista brasileiro que vem ganhando espaço no mercado mundial. Você já participou do sucesso “Grey´s Anatomy” e, agora, da série britânica “Silent Whitness”. Conte sobre essas experiências e curiosidades nos sets.

É uma honra muito grande levar um pouco da nossa brasilidade para dentro de produções tão consagradas, tanto nos EUA quanto na Inglaterra. As duas experiências foram bem distintas. Em “Grey’s Anatomy”, eu fiz o teste num domingo e já na terça-feira estava no set sendo dirigido pela Debbie Allen, que é uma lenda da TV americana. Foi bem pouco tempo de preparação mesmo para padrões de TV, onde geralmente todas as decisões acontecem muito rápido. No primeiro dia de set conheci também o Beto Skubs, que escreveu e produziu o episódio. Beto é até hoje meu amigo e nunca deixamos de nos falar. Ele me apresentou todo mundo e o estúdio também. No geral a experiência foi sensacional, um privilégio enorme fazer parte da história da série.

Já para a BBC, fiz o teste durante uma viagem ao Brasil. Estava em Natal de férias com a família quando meu agente na Inglaterra, o Luke Henry, me mandou o teste. Gravei no celular mesmo. Dias depois, me chamaram para um zoom com o diretor e também o produtor da série (Michael Lacey e Sean Gleeson). Duas semanas depois estava num avião a caminho de Londres. Passei meu aniversário no set, cantaram parabéns, teve bolo, foi muito especial. Aproveitei as folgas para ir ao teatro, fui ver 8 peças! O set era ótimo, com muita diversidade, homens e mulheres de todas as idades, de vários cantos da Inglaterra e do mundo.

Wagner Moura disse numa entrevista que é raro escreverem papéis brasileiros nas produções estrangeiras, mas você viveu brasileiros em ambas. Como foi poder levar o Brasil à essas séries renomadas?  Sente falta de fazer personagens de outras nacionalidades?

Wagner tem razão, é raríssimo isso acontecer. Somos amigos e, sim, festejamos cada brasileiro que consegue levar o Brasil para o mundo. É uma responsabilidade muito grande e também uma honra. Eu sou um ator brasileiro nos EUA, tenho orgulho do meu sotaque e da minha origem. Existe uma comunidade imensa de brasileiros vivendo aqui, e sou parte dela. Então não, não sinto falta. 

Como você analisa esse momento para brasileiros e latinos, como um todo, no mercado americano, tendo em vista o sucesso de estrangeiros nos EUA ao mesmo tempo em que há um governo local com política anti-imigratória?

O momento político cria pressão enorme sobre comunidades vulneráveis enquanto o mercado cultural, paradoxalmente, está mais aberto do que nunca para histórias latinas. Essa contradição me incomoda — e acho que deve incomodar. O sucesso de alguns não pode ser usado como argumento de que “está tudo bem”. Não está. 

Pra você, como é decorar texto em outro idioma?

Decorar em outro idioma é infernal. Eu sou bom de decorar texto, porém demoro dez vezes mais em inglês. 

Com uma carreira de sucesso no mundo, há planos de trabalho no Brasil?

Sim, estou produzindo uma peça para o ano que vem. Faz 10 anos que não piso no palco, estou morrendo de saudades.  

Você chegou a dirigir uma peça no Brasil (e foi até indicado a prêmio APCA por isso). Pensa em trabalhar como diretor no exterior também?

Em 2016, eu dirigi uma peça em NY e foi uma experiência maravilhosa. Eu sinceramente amo dirigir tanto quanto atuar. Com certeza vou dirigir algo por aqui em algum momento.