Greve pelo clima toma ruas de mais de 160 cidades da Itália

ROMA, 27 SET (ANSA) – Inspirados pela ativista sueca Greta Thunberg, centenas de milhares de jovens saíram às ruas de mais de 160 cidades da Itália nesta sexta-feira (27) para a terceira greve global de estudantes em defesa do meio ambiente.   

A manifestação dá sequência às paralisações realizadas em 15 de março e 24 de maio e encerra uma semana dedicada a mobilizações pelo clima. Apenas em Milão, segunda maior metrópole do país, 150 mil jovens participaram do ato, segundo o braço na cidade do movimento Fridays For Future (Sextas-Feiras pelo Futuro).   

O ato na capital da Lombardia reuniu estudantes de todas as idades, inclusive crianças acompanhadas de seus pais ou avós.   

“Se a humanidade não agir agora, causará danos irreversíveis à vida na Terra”, dizia um cartaz. “Alguma coisa mudou no último verão, há mais consciência”, afirmou Miriam Martinelli, apelidada por jornais locais de “Greta italiana”.   

Na capital do país, Roma, a passeata com 100 mil pessoas começou na estação Termini e foi até o Altar da Pátria, perto da área arqueológica da cidade. As manifestações se estenderam pelos principais municípios italianos, como Nápoles, Palermo, Turim, Bari, Gênova, Pescara, Florença, Bolzano, Cagliari, Trento e Trieste, com cartazes e frases de ordem pedindo ações mais eficazes contra as mudanças climáticas.   

Também não faltaram apelos pela proteção da Amazônia, que sofre com o aumento do número de queimadas. “Se os adultos não fazem seu dever, então cabe a nós fazê-lo”, disse um manifestante em Turim.   

Em Bari, os jovens quiseram imprimir uma marca local aos protestos e deram mais atenção a problemas que afetam diretamente a comunidade em que vivem, como a poluição atribuída a uma siderúrgica na vizinha Taranto ou a contaminação de oliveiras – um dos pilares da economia da Puglia – pela bactéria Xylella fastidiosa.   

“Precisávamos nos relacionar com nossa realidade, buscando soluções simples, mas viáveis. Era importante que o cidadão não dissesse: ‘Olha, lá vem aqueles que falam de urso polar e geleiras”, explicou à ANSA a ativista Giorgia Mira.   

Segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo instituto Piepoli, 71% dos italianos apoiam o movimento estudantil em defesa do clima. Os jovens reivindicam a neutralidade das emissões de CO2 na Itália até 2030 e no mundo até 2050, uma transição energética para fontes renováveis e a defesa da ciência, questionada por negacionistas do aquecimento global mundo afora.   

Mundo – Além da Itália, estão previstos para esta sexta milhares de eventos em pelo menos 150 países do mundo. O movimento Fridays for Future acredita que essa é a maior manifestação pelo meio ambiente em toda a história.   

Na Nova Zelândia, que inaugurou a jornada de protestos, as ruas de Wellington e Auckland foram tomadas por jovens ambientalistas. Ao todo, mais de 170 mil pessoas participaram dos atos no país, o que equivale a 3,5% da população neozelandesa.   

“Boa sorte a todos os grevistas ao redor do mundo. A mudança está chegando”, disse Thunberg no Twitter. A jovem sueca, que participou nesta semana de uma reunião sobre clima na ONU, liderará uma manifestação em Montreal, no Canadá. (ANSA)