Greve de auditores da Receita Federal pode causar atraso na restituição do IR

Greve de auditores da Receita Federal pode causar atraso na restituição do IR

A greve de auditores fiscais da Receita Federal dura mais de quatro meses e pode resultar em atraso no pagamento da restituição do IR (Imposto de Renda) deste ano. De acordo com o Sindifisco Nacional, que representa a categoria, a paralisação também trouxe instabilidade para serviços aduaneiros no País.

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Em contato com a IstoÉ, Dão Real, presidente do Sindifisco Nacional, apontou que é possível haver impacto na restituição do IR como consequência da paralisação. “Quanto mais tempo demora para resolver o problema da greve dos auditores, mais riscos temos em relação a normalidade dos processos de trabalho”, comentou.

Ainda conforme Real, os serviços de declaração pré-preenchida, perguntas e respostas e cruzamentos em malha fina passam pela análise dos auditores fiscais que estão paralisados.

Segundo o sindicato, é difícil contabilizar os efeitos do movimento, mas a entidade afirma que cerca de R$ 14 bilhões em tributos já poderiam estar nos cofres públicos caso os tramites não estivessem paralisados devido à greve.

Em relação ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), os conselheiros da Fazenda Nacional participam dos julgamentos, mas deixaram de pautar processos em janeiro e fevereiro que somam R$ 145 bilhões.

Já no comércio exterior, o impacto da mobilização gira em torno de R$ 3,5 bilhões, considerando custos logísticos, taxas de armazenagem e quebra de contratos. Ainda, em torno de 600 mil remessas postais estão paradas em todas as unidades da Receita Federal.

A categoria indicou que a paralisação busca um reajuste do salário básico, mas o MGI (Ministério da Gestão e Inovação) pondera que os servidores tiveram, em 2024, a regulamentação de um bônus com reajuste da remuneração contemplando altas progressivas até 2026, ao contrário de outras carreiras que não tiveram ganhos em 2024.

De acordo com o Sindifisco, o vencimento básico do cargo de auditor fiscal acumula perdas inflacionárias desde 2016.

*Com informações do Estadão