Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Paralisação nacional começou após categoria rejeitar proposta da estatal; plano de saúde está entre os principais pontos de impasse

Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado após assembleias realizadas em diferentes regiões do país aprovarem a paralisação. O movimento começou às 22h desta quinta-feira (10) e ocorre em meio às negociações da Campanha Salarial 2026/2027.

Até o início da greve, 35 assembleias haviam votado favoravelmente à paralisação. No Acre, a categoria ainda tinha uma reunião prevista para esta sexta-feira (11).

A decisão foi tomada depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa e as negociações terminaram sem acordo.

Plano de saúde está no centro das negociações

Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes.

Representantes dos trabalhadores são contrários às mudanças discutidas para o modelo de gestão e custeio do benefício. Entre as possibilidades apresentadas durante as negociações esteve uma alteração na condição dos Correios como mantenedores do plano.

A empresa chegou a propor a criação de uma comissão paritária, com representantes dos dois lados, para analisar alternativas para a assistência à saúde.

A paralisação ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação entre a estatal e representantes dos funcionários. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) também participou de tentativas de mediação para buscar um acordo.

Correios enfrentam crise financeira

A greve acontece em um momento de dificuldades financeiras da estatal. Os Correios encerraram o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 2,39 bilhões, uma redução de 24,4% em relação ao resultado negativo de R$ 3,16 bilhões registrado nos primeiros três meses do ano.

A empresa está executando um plano de reestruturação que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia e medidas para ampliar receitas e melhorar a eficiência operacional.

Em agosto, antes da deflagração da greve, os Correios afirmaram que buscavam uma solução para o acordo coletivo capaz de conciliar a situação econômico-financeira da estatal com a preservação dos direitos dos empregados e a continuidade dos serviços.

Entregas podem ser afetadas

A paralisação envolve trabalhadores de diferentes estados e não tem data definida para terminar. A extensão dos impactos sobre agências, distribuição de correspondências e entrega de encomendas dependerá da adesão ao movimento em cada região.

Por isso, eu não colocaria neste momento que Sedex, PAC ou todas as agências estão paralisados, porque ainda não há confirmação de interrupção total dos serviços. Esse cuidado deixa a matéria mais segura para publicação enquanto os efeitos da greve estão sendo medidos.