A greve dos trabalhadores dos Correios ampliou seus efeitos no interior de São Paulo nesta quarta-feira, 16. Funcionários ocuparam durante a madrugada o Centro Logístico de Distribuição de Indaiatuba, impedindo a entrada e a saída de cargas da unidade.
A mobilização faz parte da paralisação nacional iniciada na noite de 10 de setembro, depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela estatal durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho.
Com a ocupação em Indaiatuba, encomendas que passam pelo centro logístico podem sofrer atrasos. Segundo o sindicato que representa os trabalhadores da região, a interrupção do fluxo de cargas compromete as entregas programadas para cidades atendidas pela unidade.
Por que os funcionários dos Correios estão em greve?
Entre os principais pontos de impasse estão as condições de reajuste salarial e as regras do plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes.
Representantes dos trabalhadores afirmam que a proposta apresentada pela empresa não seria suficiente para recompor as perdas inflacionárias e criticam mudanças relacionadas ao custeio da assistência médica.
Os Correios, por outro lado, afirmaram anteriormente que a proposta apresentada nas negociações previa reajuste equivalente a 100% do INPC para salários e benefícios e a manutenção de 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. A forma de manutenção do plano de saúde permanece entre os principais pontos de divergência entre as partes.
Correios adotam plano para reduzir atrasos
Apesar da greve, os Correios afirmam que adotaram medidas para preservar a prestação dos serviços. A estatal acionou um plano de continuidade que inclui remanejamento de veículos, utilização de funcionários administrativos em atividades operacionais e realização de mutirões.
As agências permanecem abertas para atendimento ao público.
No caso de Indaiatuba, porém, a ocupação do centro logístico dificulta a movimentação das encomendas. Até o momento, não há previsão específica para a normalização dos prazos das cargas afetadas.
Greve está no TST
O impasse também chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Depois de as negociações terminarem sem acordo, os Correios ajuizaram dissídio coletivo.
Em decisão liminar, o tribunal determinou a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade, abrangendo áreas como atendimento, tratamento, transporte e distribuição.
O julgamento do dissídio coletivo está previsto para 21 de setembro, às 13h30. Até lá, empresa e representantes dos trabalhadores ainda podem chegar a um acordo.