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Gran Reserva, uma categoria especial

Por trás da denominação que indica os rótulos elaborados com as melhores uvas de cada safra e envelhecidos por longos períodos em barricas de carvalho existe a paixão dos produtores pelo que sabem fazer de mais sofisticado

Gran Reserva, uma categoria especial

O Blend Series #1

As palavras Gran Reserva impressas no rótulo de um vinho costumam ser garantia de qualidade absoluta. Na região de Rioja, na Espanha, a nomenclatura é exclusiva para tintos que chegam ao mercado cinco anos após a vinificação – dois dos quais correspondem ao estágio em barricas de carvalho. Mesmo em países que não determinam regras tão rígidas o termo Gran Reserva simboliza aquilo que de melhor cada produtor sabe fazer. Mesmo quando não se referem aos vinhos mais icônicos de cada vinícola (aqueles que só são lançados em safras especiais), as palavras Gran Reserva resumem uma paixão: a de colocar em garrfas a expressão máxima daquilo que um determinado terroir é capaz de fornecer. No mundo do vinho, terroir é o que define a combinação de solo, clima e conhecimento humano capazes de caracterizar aromas e sabores únicos. Para extrair os melhores vinhos de um terroir, portanto, não basta apenas cuidar de cada etapa da vinificação depois que as uvas são colhidas. Hoje, na maioria dos casos, o trabalho começa bem antes, com escavações que ajudem a compreende o perfil do solo e suas potencialidades para a elaboração de grandes vinhos.

Sebastián Ruiz, enólogo-chefe da Tarapacá

Foi assim, com a abertura de 373 pequenos poços nos 611 hectares de vinhedos plantados na Viña Tarapacá, no Chile, que Sebastián Ruiz, enólogo-chefe da vinícola desde 2015 deu início a um estudo inédito que tem permitido impulsionar a qualidade dos vinhos Gran Reserva da marca. “Graças ao estudo fomos capazes de identificar sete séries de solos em Fundo El Rosario, todos de origem vulcânica, dos quais cinco são particularmente adequados à produção de uvas de alta qualidade”, disse Ruiz durante um jantar em que foram servidos os vinhos Gran Reserva Tarapacá em São Paulo. Segundo o enólogo, além de determinar os distintos perfis de solo, o estudo abrangeu todos os aspectos ligados ao clima e à biodiversidade do Fundo El Rosario, uma região na qual a topografia forma o que os especialistas consideram um “clos natural”. Na tradição vitivinícola da França, o termo clos designa uma área de cultivo cercada por muros ou cercas-vivas. No Fundo El Rosaria, cravado no Vale do Maipo, a proteção é feita por um escudo montanhoso pertencente à Cordilheira dos Andes.

A “Casona”, imagem que estampa as garrafas da Viña Tarapacá

Mineralidade

Mapeado o solo e o clima, o passo seguinte foi experimentar a vinificação separada das uvas provenientes dos diferentes perfis. O resultado dessas experiências pode ser conferido Blend Series #1, um Gran Reserva que homenageia os melhores solos do Fundo El Rosario. “É um vinho com perfil de fruta madura, expressivo e complexo, com destacadas notas de amora e ameixa”, diz o enólogo. O envelhecimento em barricas foi de 12 meses, o que entrega aromas sutis de especiarias como pimenta preta, cravo e baunilha. “No paladar tem volume médio, boa estrutura e final persistente devido à mineralidade dos nossos solos. É um vinho aromático, fresco e saboroso, que expressa as características únicas de clima e solo do Fundo El Rosario”, afirma. Importado pela Épice, o Blend Series #1 chega ao Brasil custando R$ 130 para o consumidor final. Um ótimo preço para um Gran Reserva que honra as tradições impostas pelo respeito à terra, à cultura e, claro, ao paladar de quem aprecia grandes vinhos.

A principal produtora chilena de vinhos Grand Reserva