Cultura

Grammy das mulheres premia rap e country

Grammy das mulheres premia rap e country

(A partir da esquerda) Lady Gaga, Jada Pinkett Smith, Alicia Keys, Michelle Obama e Jennifer Lopez discursam no palco do Grammy - AFP

Potentes vozes femininas tomaram conta do palco na entrega dos prêmios Grammy neste domingo (10): Lady Gaga, Dua Lipa, Kacey Musgraves, Brandi Carlile e Cardi B foram premiadas por sua música, de diferentes gêneros, mas com uma missão em comum: abrir o caminho para que outras mulheres continuem brilhando na indústria.

Mas também foi uma festa que celebrou o rap, um gênero até então significativamente marginalizado.

“This is America”, canção de Childish Gambino, repleta de críticas à violência armada e ao racismo nos Estados Unidos venceu como melhor canção e gravação do ano, a primeira vez que uma música deste gênero ganha nessas categorias.

O álbum do ano foi para a cantora country Kacey Musgraves por “Golden Hour”.

Das quatro categorias principais, duas foram para Gambino, alter ego do ator Danny Glover, que não compareceu à cerimônia, e as outras duas para mulheres.

“As mulheres têm uma perspectiva única para a arte, a música, e é excelente ver que tivemos a oportunidade de sermos incluídas”, disse Musgraves a jornalistas após a cerimônia. “É preciso que as mulheres tenham coragem de fazer uma arte que talvez não agrade a todos, mas que também leve outras pessoas a explorar e nos dar uma oportunidade”.

– Monólogo da vagina –

Gambino encerrou a noite com quatro prêmios, assim como Musgraves. Lady Gaga e Brandi Carlile ficaram com três cada uma.

Mas para além dos prêmios, o desfile de vozes de mulheres foi para todas uma reivindicação.

“Deixemos que a vagina faça um monólogo”, lançou Janelle Monaé em sua impressionante apresentação, tão boa quanto a de H.E.R. e Gaga, ou da anfitriã Alicia Keys, vencedora de 15 Grammys e a primeira mulher a apresentar este evento em 14 anos… E que obviamente não se limitou a apresentar os prêmios.

Tocando de uma só vez dois pianos, apresentou um medley de “Canções que eu gostaria de ter escrito” no qual apareceram temas como “Unforgettable”, de Nat King Cole, e “Killing Me Softly”, de The Fugees.

Também foi emocionante a homenagem que Katy Perry, Musgraves, Miley Cyrus e Marren Morris fizeram a Dolly Parton, e que Andra Day, Fantasia e Yolanda Adams fizeram à lenda falecida Aretha Franklin.

Jennifer López cantou para Motown, apesar de ter recebido críticas anteriormente por não ser uma artista negra, e Diana Ross celebrou seus 75 anos cantando com os olhos marejados, mas a voz intacta.

“Me deram os melhores anos da minha vida”, cantou emocionada em uma apresentação que terminou com um efusivo: “Feliz aniversário para mim!”.

Outra mulher a ser muito aplaudida foi a ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama, que falou no começo da cerimônia, imediatamente depois da apresentação de “Havana”, com a qual Camila Cabello abriu o show com Ricky Martin, J Balvin e o trompetista de Arturo Sandoval.

“A música me ajudou a contar a minha história”, disse a ex-primeira-dama. “A música nos mostra que tudo importa”.

– O rap de Cardi B –

O diretor da Recording Academy, Neil Portnow, que deixa o cargo quase um ano depois de gerar indignação ao dizer que as artistas deveriam “redobrar os esforços” para serem reconhecidas, prometeu “diversidade e inclusão” em seu discurso de despedida.

“Acho que redobrei os esforços”, havia dito, ironicamente, Dua Lipa ao receber o prêmio de artista revelação.

Ariana Grande venceu o primeiro Grammy de sua carreira, mas não esteve lá para recebê-lo, após diferenças com a produção da cerimônia que a levaram a optar por não comparecer.

E Cardi B levou o primeiro Grammy para uma rapper solo. “Não consigo respirar, Deus”, celebrou, tremendo e emocionada.

O rap é um gênero que até agora não havia sido levado a sério.

De fato, Gambino, que não foi ao evento, havia se negado a se apresentar nesta edição do prêmio, assim como o fizeram o também vencedor Drake e Kendrick Lamar, artista com mais indicações, oito, mas que ganhou em uma categoria fora das principais.

No ano passado, o magnata do rap Jay-Z chegou com oito indicações e acabou a noite com as mãos vazias, gerando fortes críticas que levaram a organização a ampliar o número de indicados nas quatro principais categorias, de quatro para oito.