Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

O recente aumento nos preços de alimentos e combustíveis está intensificando a pressão sobre os governos de todo o mundo para pagar a conta dos consumidores, pesando sobre já precárias finanças públicas e agravando a instabilidade política nas economias mais abaladas.

Assustados pelos protestos que eclodiram recentemente de Bangkok à Sicília, muitos governos adotaram subsídios ou isenções fiscais para proteger famílias e empresas dos preços em alta. No entanto, os repasses estão aumentando a já alta dívida, no momento em que os custos dos empréstimos estão subindo.

Na Europa, o ataque da Rússia à Ucrânia fez com que os preços da gasolina e do diesel dessem seus maiores saltos desde os choques do petróleo da década de 1970, em um cenário de inflação já galopante.

No mês passado, agricultores gregos dirigiram seus tratores ao Ministério da Agricultura em Atenas para exigir ajuda. Na Sicília, caminhoneiros em protesto interromperam as entregas de alimentos, incluindo as das famosas laranjas da ilha italiana. Na Espanha, caminhoneiros em greve causaram escassez de alimentos em algumas áreas e levaram empresas como Danone e Heineken a alertarem sobre cortes de produção.

Também em março, a França evitou uma greve semelhante com um pacote de ajuda de 400 milhões de euros, que inclui pagamentos diretos a caminhoneiros. Na Espanha, os grevistas rejeitaram um pacote de ajuda governamental de 500 milhões de euros por ser muito pequeno. A Alemanha divulgou recentemente pagamentos em dinheiro aos contribuintes, passagens de transporte público com grandes descontos e um teto temporário para a gasolina e o diesel.

Todas essas despesas extras se juntam a três anos de aumento dos gastos públicos relacionados à pandemia. Os governos dos 19 países da zona do euro provavelmente terão déficits orçamentários de cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em média este ano, em parte devido a novos subsídios, segundo a Capital Economics.

Para os mercados emergentes em particular, o custo dos cofres públicos muitas vezes esgotados também é um problema. As economias emergentes devem refinanciar dívidas no valor de cerca de US$ 7 trilhões este ano, acima dos US$ 5,5 trilhões em 2021.

Economistas dizem que os países asiáticos estão em melhor forma para enfrentar o choque inflacionário da guerra do que em crises anteriores, com finanças públicas mais sólidas e menor dependência de capital estrangeiro. Alguns, como Malásia e Indonésia, são exportadores líquidos de commodities. Receitas mais altas dessas exportações podem ajudar a financiar subsídios sem abrir grandes buracos em seus orçamentos, dizem os economistas.