Governo reage bem à promessa dos EUA de investir em processamento de terras raras

O aceno do governo Donald Trump em prol de investir em processamento de minerais críticos dentro do Brasil foi visto de forma positiva dentro do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário de Estado adjunto Caleb Orr, responsável por Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, indicou nesta quarta-feira, 11, que os Estados Unidos estavam dispostos a ter uma parceria sólida com o Brasil e consideravam financiar, para além da extração, capacidades de processamento e refino de minerais críticos, como as terras raras, dentro do País.

Segundo o diplomata do Departamento de Estado americano, esse seria um “próximo passo natural”, já que o governo dos EUA já aportou recursos em ao menos dois projetos de extração de terras raras leves e pesadas em Goiás.

Ao comentar a declaração, um interlocutor presidencial considerou muito positiva a manifestação do diplomata, aliado de confiança do secretário de Estado, Marco Rubio, por avançar no sentido da convergência de interesses.

O Palácio do Planalto entende que a Casa Branca quer colocar uma parceria sobre minerais críticos no topo da agenda entre os países.

Há dúvidas, no entanto, se haveria tempo para entabular todas as conversas técnicas necessárias e assinar algum acordo ou entendimento no próximo mês, quando os dois presidentes devem se reunir nos EUA.

Quem acompanha as negociações afirma que a burocracia americana atua mais a reboque das demandas de Trump e que a visita a Washington pode configurar um impulso maior para disparar tratativas, em vez de concluí-las.

Representantes do setor privado e do governo americano no Brasil programam um seminário para discutir parcerias em minerais críticos, em São Paulo, também em março.

A viagem está no radar dos governos desde o fim de 2025, depois que ambos se encontraram na Malásia e conversaram por telefone. Em nova chamada, no mês passado, eles combinaram que o encontro ocorreria em Washington. Mas, até o momento, carece de data oficial.

Nas últimas semanas, o governo brasileiro acompanhou o lançamento de uma ofensiva americana para formar uma aliança de países próximos e criar parcerias com detentores de reservas de minerais críticos, em reação à dominância da China no setor.

Pequim concentra cerca de 70% da capacidade de processamento global e, na disputa comercial com os EUA, decidiu aplicar restrições à exportação que afetaram a indústria americana. Por isso, Trump deflagrou uma busca por aliados dispostos a formar uma cadeia de suprimentos alternativa, que considere segura.

O Palácio do Planalto rejeitou aderir à iniciativa americana, vista como forma de amarrar as reservas brasileiras, sobretudo de terras raras, a segunda maior do mundo.

O governo entende que deve buscar múltiplos acordos direto com vários países, sem critérios de exclusividade no fornecimento de minerais, não se limitar apenas à extração de matéria-prima e, em vez disso, buscar agregar capacidade de processamento e refino no País.

Para um embaixador, é preciso tentar fazer um “encontro” entre o modelo proposto pelos EUA e as diretrizes que o Brasil defende. Os americanos buscaram garantir acesso privilegiado a reservas e formação de preços mínimos, além de escantear a China.

O País ainda não possui uma política nacional de minerais críticos e estratégicos, que está em discussão no Congresso Nacional por meio de projetos de lei. O assunto vem sendo debatido também dentro do governo e acompanhado de perto pela chancelaria e conselheiros de Lula.

O assessor especial Celso Amorim disse ao UOL que o Brasil deveria considerar as necessidades de sua indústria e exportar apenas o “excedente”.

Outro embaixador afirmou que os interesses da indústria, do comércio e da mineração precisam dialogar e buscar um equilíbrio, levando em conta ainda setores como defesa, transição digital e energética, e a demanda por esse tipo de recurso em tecnologias de ponta.