O Palácio do Planalto avalia dar mais poder ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deixar parte dos cargos em autarquias do Centrão sob sua gestão. Interlocutores do Planalto confirmaram à IstoÉ a possibilidade, que visa empoderar Motta em duas frentes: na Câmara e para o benefício do próprio governo.
A avaliação é que Motta precisa de barganha sobre os deputados para se fortalecer mais nos bastidores. Nos corredores, alguns parlamentares apontam uma certa fragilidade do chefe do Salão Verde, a ponto de ceder a pressões e chantagens das bancadas. A entrega dos cargos nesse cenário daria maleabilidade a Motta para acalmar os ânimos dos deputados.
Por outro lado, os cargos podem servir como uma moeda de troca para o próprio Planalto. Com a base fragilizada no Congresso e sem poder contar com o Centrão, a entrega dos espaços podem obrigar os parlamentares a votarem com Hugo Motta nas pautas do governo, nos mesmos moldes que funcionava com Arthur Lira (Progressistas-AL).
Os cargos que devem ser entregues para a gestão de Motta são os mesmos em que o Planalto liberou em retaliação a derrota na MP 1303, medida alternativa a derrubada do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Após uma forte articulação, o Centrão rompeu o acordo e decretou o arquivamento da proposta. A decisão revoltou o governo, que logo demitiu os indicados de partidos como União Brasil, Progressistas, MDB e PSD.