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Governo omite violência policial de relatório para a ONU sobre direitos humanos

Governo omite violência policial de relatório para a ONU sobre direitos humanos

Divone Ferreira, mãe de Gabrielle Ferreira da Cunha, morta por uma bala perdida dentro de casa durante uma operação policial na Vila Cruzeiro, comunidade vizinha à sua residência, chora sobre o caixão da filha no cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 2022 - AFP

O governo brasileiro produziu um raio-x das medidas tomadas por autoridades para lidar com violações de direitos humanos e atendimento das recomendações internacionais. No documento, porém, omitiu a violência policial e as chacinas que aconteceram em operações, de acordo com o jornalista Jamil Chade, do UOL.

O documento, ainda em versão preliminar, será entregue para a Organização das Nações Unidas [ONU] em agosto. Três meses depois, a entidade pretende realizar uma sabatina com o Brasil para examinar a política de direitos humanos do governo.


O Brasil já foi alvo de questionamentos da ONU, em 2017, e mais de uma dezena de recomendações foram feitas ao país para diminuir a violência policial. Na sabatina deste ano, o governo vai precisar mostrar o que tem feito para cumprir das propostas aceitas anos atrás.

De acordo com o jornalista Jamil Chade, não há nenhuma ação do governo brasileiro para redução da violência policial no documento que será levado para a ONU em agosto. O texto, no entanto, aponta medidas como “prevenção e repressão do terrorismo”.

Nesta semana, uma operação policial na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio de Janeiro, deixou pelo menos 25 mortos. Após a ação, o presidente Jair Bolsonaro elogiou “os guerreiros do BOPE” nas redes sociais por “neutralizarem marginais ligados ao narcotráfico”.